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BNDES diz que já recuperou R$ 5 bilhões com investimento em JBS

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NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em sua ação mais contundente de defesa das operações com a JBS, o BNDES diz que já recuperou R$ 5 bilhões do investimento feito na companhia controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Ao todo, foram investidos R$ 8,1 bilhões.

De acordo com o banco, o valor recuperado refere-se a dividendos e prêmios pagos pela empresa (R$ 1 bilhão) e venda de ações no mercado (R$ 2,2 bilhões) e para o Tesouro Nacional (R$ 1,8 bilhão).

"Desta forma, houve ingresso de R$ 5 bilhões e a manutenção de 21,3% do capital da companhia em ações na carteira da BNDESPar (subsidiária que concentra as participações acionárias do banco),", diz o BNDES.

O texto faz parte de uma seção de perguntas e respostas publicada no site da instituição 20 dias depois que funcionários foram levados coercitivamente a depor pela Operação Bullish, da Polícia Federal, que investiga o relacionamento do BNDES com a JBS.

A operação gerou grande pressão do corpo técnico do banco, que cobrava da direção um posicionamento em defesa da instituição. Na última sexta (26), a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, pediu demissão em meio à crise, agravada pelas delações premiadas dos irmãos Batista.

Em seu site, o BNDES defende as operações de compra de ações da JBS como parte de uma "política de governo" que visava à consolidação e internacionalização do setor frigorífico brasileiro.

Diz que avaliações independentes respaldam os valores pagos por ações da companhia, como o aumento de capital realizado para apoiar a compra da Swift, na qual as ações foram emitidas a R$ 8,15, o equivalente à média dos 30 pregões anteriores mais R$ 0,50 por ação.

"O fato é que 93% dos acionistas minoritários decidiram participar do aumento de capital, adquirindo novas ações a esse preço de R$ 8,15, o que também foi feito pelos controladores da companhia, o que corrobora a percepção de que o valor era adequado na visão do mercado", defende o banco.

Logo após a Operação Bullish, Maria Silvia determinou a abertura de uma comissão interna para apurar as denúncias de favorecimento à JBS, que tem um prazo de 45 dias, prorrogáveis por mais 45, para entregar resultados.

A executiva, porém, decidiu deixar o cargo alegando razões pessoais na sexta, sem se pronunciar sobre o tema.

O novo presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, toma posse nesta quinta (1°).

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