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BNDES emprestava menos do que esperava o governo, diz ministro

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MARIANA CARNEIRO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O BNDES estava emprestando menos do que gostaria o governo, afirmou nesta terça (30) o ministro Dyogo Oliveira (Planejamento).

Em entrevista a jornalistas estrangeiros, em São Paulo, Oliveira foi perguntado se o governo estava satisfeito com o desempenho do banco, que até a última sexta estava sob administração de Maria Silvia Bastos Marques.

"O BNDES tem tido um volume de desembolsos abaixo do que nós esperávamos", respondeu.

O ministro afirmou que o menor fluxo de crédito tem a ver com uma série de fatores, entre os quais a menor demanda de empresários por recursos para investir. Nisso, o BNDES não tem culpa, disse Oliveira.

Segundo ele, a ex-presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, estava trabalhando para acelerar o processo de análise e aprovação no banco, tentando porém preservar a solidez dos projetos.

Oliveira indicou que é desejo do governo que os empréstimos do banco sejam incrementados.

"É preciso ter muito zelo com esse recurso, e critério na aplicação desse dinheiro. Por outro lado, gostaríamos que o banco estivesse emprestando mais, ampliando mais o investimento. É nosso desejo e faz parte da agenda do BNDES para os próximos anos."

O grande desafio do banco, na visão do Oliveira, é diversificar sua carteira de clientes.

"Pode encolher [o volume emprestado] em um projeto individualmente, mas crescer no agregado", disse Oliveira.

O BNDES reduziu o volume desembolsado de R$ 180 bilhões (em 2014) para R$ 88 bilhões no ano passado. Neste ano, a previsão é de um fluxo de concessões próximo a R$ 60 bilhões.

Para ele, o BNDES só voltará a operar a 100% de sua capacidade depois que apurar as suspeitas do passado, sugerindo tratar do tema JBS.

"Isso não pode ser feito paralisando o banco, tem que fazer as duas coisas ao mesmo tempo", afirmou. "Tem que continuar aplicando recursos ao passo que essas outras questões são investigadas e resolvidas."

INFRA-ESTRUTURA

O ministro disse que o banco teria condições de financiar todo o projeto de concessões do governo, pois "tem R$ 150 bilhões em caixa".

Porém, diz ele, o governo trabalha para que o financiamento privado ocupe parte do espaço que no passado foi do BNDES.

Uma das propostas estudadas é que o banco compre títulos de dívida de empreendimentos, durante a fase de construção. Esses títulos seriam revendidos assim que concluída a obra. Essa opção, contudo, enfrenta a dificuldade da baixa demanda no mercado secundário de debêntures (dívidas).

Outra opção sugerida por Oliveira é o banco participar de um esforço de co-financiamento, com outros bancos e organismos internacionais. Maria Silvia havia indicado que o limite de participação do BNDES seria de 50% no regime de co-financiamento.

Oliveira disse que foi pego de surpresa com o pedido de demissão de Maria Silvia e negou a existência de pressão do governo. Oliveira atribuiu o afastamento à "falta de apoio das equipes internas" do banco.

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