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Saída de Maria Silvia do BNDES não afeta mercado e Bolsa avança 1,4%

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DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A saída de Maria Silvia Bastos Marques da presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) causou turbulência momentânea no mercado financeiro brasileiro, mas Bolsa e dólar acabaram retornando aos patamares que operavam antes da notícia.

A decisão da presidente do BNDES de deixar o cargo por motivos pessoais reduziu a alta do Ibovespa. Antes do anúncio, por volta de 16h, o índice que reúne as ações mais negociadas do mercado brasileiro subia 1,41%.

Nos instantes seguintes, a valorização diminuiu para 0,97% e era de 0,83% faltando 15 minutos para o pregão terminar. Entre 17h07 e 17h10, porém, a Bolsa voltou a ganhar força e a alta passou de 1% para 1,36%. O Ibovespa fechou aos 64.085 pontos.

O dólar também diminuiu a queda que vinha sustentando desde o início do pregão, mas encerrou cotado a R$ 3,26. O dólar comercial fechou em baixa de 0,54%, para R$ 3,266. O dólar à vista recuou 0,83%, para R$ 3,267.

A leitura inicial dos investidores era que a saída de Maria Silvia poderia representar o começo de uma debandada da equipe econômica responsável por tocar a agenda de reformas. Mas essa corrente acabou perdendo força e colaborando para a melhora do humor no mercado.

A presidente do BNDES era criticada por setores empresariais por reduzir os financiamentos do banco. Além da pressão externa, ela passou a sofrer uma forte pressão interna após Operação Bullish da Polícia Federal, que investiga aportes feitos pelo pelo braço de participações do banco, o BNDESPar, na JBS, levar coercitivamente para depor mais de 30 funcionários do banco.

"A saída da Maria Silvia estremeceu o mercado, com a possibilidade de outros integrantes da equipe econômica deixarem o governo, mas depois o mercado se acalmou", afirma Julio Hegedus, economista da consultoria Lopes Filho. "Há uma preocupação de separar a crise política dos rumos econômicos. A economia não pode ser contaminada pela instabilidade política."

A avaliação é parecida com a de Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos. "Seguimos naquela toada de dar andamento às reformas, tentando desvincular a política econômica da crise no governo que ocupou o mercado nos últimos dias", diz.

No pregão desta sexta, as ações da JBS mantiveram a volatilidade apresentada na semana inteira e fecharam em queda de 6,09%. Na quinta-feira, os papéis subiram 22,54%. Na semana, as ações encerraram com queda de 11,5%.

Os papéis da Petrobras fecharam o dia com sinais opostos, apesar da alta do preço do petróleo no exterior. As ações mais negociadas caíram 0,44%, para R$ 13,68. Os papéis com direito a voto subiram 0,62%, para R$ 14,55.

As ações da mineradora Vale fecharam em alta, embora os preços do minério de ferro tenham recuado nos mercados internacionais. Os papéis mais negociados da Vale subiram 0,57%, para R$ 26,33. As ações com direito a voto avançaram 0,58%, para R$ 27,86.

No setor financeiro, os papéis de bancos encerraram o dia em alta. Os papéis do Itaú Unibanco subiram 2,71%. As ações preferenciais do Bradesco tiveram alta de 2,31%, enquanto as ordinárias avançaram 2,49%. Os papéis do Banco do Brasil se valorizaram 4,15%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil ganharam 2,83%.

No mercado cambial, o Banco Central vendeu mais um lote de 8.000 contratos de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Até agora, o BC rolou US$ 3,6 bilhões dos US$ 4,435 bilhões de contratos que vencem em junho.

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