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Governo refaz cartilha para explicar reforma da Previdência mais branda

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DANIEL CARVALHO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Michel Temer publicou nesta segunda-feira (15) uma nova versão da cartilha que já havia sido feita para explicar a reforma da Previdência aos deputados.

Nas 5.000 cópias, o texto procura, em 16 páginas, mostrar que as mudanças feitas pelo relator, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), deixaram a proposta mais palatável.

Cálculos do governo indicam que a versão atual da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) significa uma perda de 25% da economia que seria alcançada com o texto enviado pela União ao Legislativo no final do ano passado.

O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) disse na sexta-feira (12) que o governo não está mais disposto a fazer concessões.

As alterações no material, voltado tanto para parlamentares como para a sociedade civil, começam já na capa, onde aparecem fotos de pessoas sorrindo.

"Humanizamos com as fotos de pessoas", disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP), que tem trabalhado a comunicação da reforma em parceria com o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

"O valor da contribuição paga hoje pelos trabalhadores e empregadores urbanos do INSS não aumenta em nenhum centavo. O governo federal optou por uma proposta de reforma que não reajusta impostos", diz um trecho da cartilha "Para entender a reforma da Previdência".

Trechos de mais apelo são grafados em negrito: "O que muda é que a reforma da Previdência trará mais igualdade e acabará com privilégios".

A cartilha traz tabelas com os novos cálculos de maneira simplificada e compara a idade mínima de aposentadoria em diversos países que têm regras mais duras que aquela que será aplicada no Brasil, caso a proposta seja aprovada.

O material também divulga um site criado para esclarecer a reforma.

Ciente de que ainda não tem votos suficientes para aprovar a reforma da Previdência, o governo ainda não marcou uma data para levar a proposta para votação em plenário, embora a expectativa seja que isso ocorra na primeira semana de junho.

Como se trata de uma PEC, são necessários 308 votos. Por segurança, o governo quer ter garantia de pelo menos 320 votos.

O Planalto tenta reverter a rejeição popular utilizando a cartilha e propagandas na TV e no rádio.

De acordo com pesquisa Datafolha, a reforma é rejeitada por 71% da população.

Enquete no site do PMDB, partido do presidente Michel Temer, indicava na noite desta segunda-feira que 96% dos votantes (43.009 pessoas) são contra a reforma.

O Palácio do Planalto não havia informado o valor gasto com a impressão da cartilha até a publicação desta reportagem.

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