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ATUALIZADA - Sem Lula, ato da CUT em São Paulo critica reformas de Temer

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WÁLTER NUNES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Gritos de "fora, Temer" e palavras de ordem contra as reformas trabalhista e da Previdência dão tom do evento de comemoração do Dia do Trabalhador, promovido pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) na tarde desta segunda (1º), na avenida Paulista, região central de São Paulo.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, falou sobre a possibilidade de uma nova greve geral e de uma marcha para Brasília quando a reforma da previdência for votada no Congresso. "Vamos ocupar Brasília integralmente e não permitir que haja votação que retire nossos direitos. Estou convocando todos e todas aqui a fazerem a maior marcha que a classe trabalhadora já fez", afirmou.

"A continuidade da greve tem que ser construída. Aos companheiros e companheiras estou propondo que façamos uma outra greve. Vamos discutir no dia 4 numa reunião de todas as centrais e todas as frentes", disse Freitas.

Cartazes contra uma possível prisão do ex-presidente Lula também se espalham por toda a avenida. Lula, porém, não participa do ato. Sua ausência foi sentida pelos manifestantes. "Se ele viesse teria mais gente aqui" diz Caio Tulio, que protestava contra "os efeitos nocivos do golpe contra a Dilma".

O vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) compareceu e foi ovacionado pelos militantes. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, discursou em carro de som e atacou o prefeito João Doria.

"Ele não respeita o trabalhador chamando de vagabundo e nem [respeita] uma mulher que lhe deu flores", em referência à caso ocorrido neste domingo (30), quando o prefeito jogou no chão um ramalhete de flores ofertado por uma ciclista. Falcão também pediu eleições diretas em outubro de 2017.

Doria foi um dos principais atacados pelos sindicalistas que discursaram em cima do carro de som, que prometeram constrangê-lo em futuros protestos.

A Polícia Militar ainda não tem uma estimativa do público presente.

Apesar da predominante participação da militância de esquerda, a presença no local é mais heterogênea do que em outros eventos políticos.

Militantes dividem espaço com pessoas que vieram para caminhar e andar de bicicleta na avenida Paulista, que se consolidou como importante local de lazer na cidade de São Paulo nos finais de semana e feriados.

Uma senhora passou gritando "Lula na cadeia" para provocar militantes da CUT e do PCO (Partido da Causa Operária), mas foi ignorada. Gritou por minutos e foi embora.

O PCO montou uma barraquinha onde cadastram interessados a participar da caravana que sairá de São Paulo no próximo dia 9 em direção a Curitiba, onde Lula, no dia 10, prestará depoimento ao juiz federal Sergio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato. A contribuição cobrada dos que participarão da caravana varia de R$ 50 a R$ 100.

CERVEJA R$ 5, ABRAÇO GRÁTIS

Ambulantes vendem de bebida à camisetas. Uma latinha de cerveja custa R$ 5, mesmo preço de um espetinho de carne. Um kit com faixa "fora, Temer" e apito custa R$ 10.

Na esquina da Paulista com a rua Padre João Manuel toca forró em troca de moedas.

De graça mesmo, só um abraço. Um grupo de quatro estudantes segura uma faixa onde se lê "abraço grátis".

Quatro amigos adolescentes saíram da zona leste da capital para fazer um protesto pacifico na Paulista.

"A gente quer trazer um conforto nesse momento em que a pátria está tão separada", disse Larissa, 17.

Os amigos se conhecem por frequentar a Igreja Presbiteriana Independente, mas a ideia da manifestação não guarda relação com a igreja. "Nós viemos porque achamos que as pessoas precisam de abraço", disse Luiza, 15.

O protesto foi um sucesso. Várias pessoas abraçaram os jovens.

O vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) também distribuiu abraços e tirou selfies com manifestantes. Também não cobrou nada por isso.

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