Mais lidas
Economia

Restaurante vizinho a Temer reabre após depredação

.

WÁLTER NUNES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - José Filho, maître do restaurante Senzala, segura numa das mãos uma pedra e na outra um bloco de concreto. Calcula que o peso ultrapasse os 2 quilos cada. "Imagina se isso pega em alguém?", pergunta.

Os objetos foram atirados contra a vidraça do Senzala durante os protestos contra as reformas trabalhista e da previdência, na noite de sexta (28). O quebra-quebra assustou os clientes, que correram para os fundos do restaurante. No dia seguinte, um carrinho de mão repleto de pedras e estilhaço de vidro eram o inventário da violência do ato.

O Senzala fica a 800 metros da residência do presidente Michel Temer, alvo principal dos manifestantes. É um dos preferidos dele, que antes da Presidência costumava convidar amigos e aliados políticos para jantar no local. No sábado, o Senzala reabriu com remendos de papel no lugar dos vidros quebrados.

Na manhã de sábado (29) os moradores dos arredores da casa do presidente retomaram a normalidade fazendo caminhadas, correndo, andando de bicicleta e passeando com cachorro nas arborizadas ruas do bairro de Alto de Pinheiros. Jovens faziam exercícios físicos no gramado da praça Conde de Barcelos, em frente a varanda de Temer.

O vestígio do confronto do dia anterior eram cápsulas de munição de bala de borracha e restos de bombas de efeito moral, usados pela Polícia Militar para impedir que os manifestantes se aproximassem da casa do presidente, acumulados em cima de um banco de concreto da praça ao lado de um cartaz do PCO (Partido da Causa Operária) que convocava para a greve geral.

"Eles (manifestantes) não conseguiram chegar perto da casa do Temer porque a polícia não deixou. Por isso onde a gente mora não foi depredado nem pichado", diz a desenhista industrial Adriana, que caminhava com o marido. Num raio de cerca de 300 metros da casa de Temer não houve danos materiais.

Quando o confronto entre manifestantes e polícia começou uma equipe de filmagem gravava um comercial de tintura para cabelo numa das casas vizinhas de Temer. "O protesto não chegou aqui, mas a gente ficou ouvindo tiros e bombas", disse Franciane Sampaio, da equipe de produção. Havia caminhões e furgões com equipamentos de vídeo na rua e nada foi danificado. "No final correu tudo bem. Com a gente não aconteceu nada."

Os prejuízos aconteceram a partir da Praça Pero Vaz de Caminha, distante 350 metros da residência do presidente. Um professor aposentado da USP que não quis que seu nome fosse publicado avaliava a mais nova pichação em seu muro de tijolo à vista. "Outro 'fora, Temer'", disse demonstrando bom humor. "Protesto é assim desde que eu era estudante", disse.

Em outra parte do muro da casa era possível perceber que um "fora, Temer" já havia sido havia sido apagado pelo morador um tempo antes. "Eu mandei lixar o tijolo depois do penúltimo protesto, mas ainda dá pra ver que tinha uma pichação ali. Fazer o quê, né?"

Morador do bairro há 40 anos, ele já se preparou para a possibilidade de outros protestos e novos prejuízos. "Há 4 meses eu passei um revestimento nos tijolos do muro que é para que a tinta da pichação saia mais fácil". A poucos passos dali uma uma equipe da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) pintava de branco a faixa de pedestres para apagar outro "fora, Temer" pintado no asfalto pelos manifestantes.

Nos 450 metros em linha reta que separam a praça Pero Vaz de Caminha até a Praça Panamericana se via o rastro deixado pelos manifestantes. Palavras de ordem foram pichadas em muros e paredes, vidros foram quebrados e cartazes espalhados pelo chão no caminho da avenida Professor Fonseca Rodrigues.

O alvo preferido foram os bancos da região. Agências bancárias do Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander foram depredadas durante os protestos. Assim como aconteceu em outras manifestações, os atos de vandalismo foram promovidos por um grupo de black blocs que participava do ato.

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber