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Sob pressão, relator da Previdência quer novas conversas com bancadas

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LAÍS ALEGRETTI E DANIEL CARVALHO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Enquanto as lideranças parlamentares pressionam pelo adiamento do calendário de votação da reforma da Previdência, o relator da proposta, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), afirmou nesta quarta-feira (26) que há um "desconhecimento muito grande" sobre o texto e que pretende fazer uma nova rodada de conversas com bancadas de partidos aliados.

"Pelos corredores da Casa, ouço muitas perguntas que demonstram que há ainda um desconhecimento muito grande em relação a esse texto", disse Oliveira Maia.

O presidente da comissão, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), diz que está mantida a votação do parecer para a próxima terça-feira (2), mas não descarta a possibilidade de adiamento.

"Precisamos fazer uma avaliação. Vou conversar com o relator. [...] Pode existir outro tipo de encaminhamento, mas não é isso que eu tenho previsão", disse.

O relator afirmou que conversará com líderes das bancadas para avaliar a necessidade de uma nova rodada de reuniões. "Realmente talvez seja necessário que eu volte a todas as bancadas para repetir aquelas conversas."

Líderes de partidos aliados ao Palácio do Planalto pedem que a votação, ao menos em plenário, seja adiada para que eles possam esclarecer a proposta em suas bancadas e aumentar o número de votos.

O PSDB, principal aliado do governo, trabalha pelo adiamento em cerca de três semanas da votação no plenário da Casa, previsto para começar em maio.

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), que está licenciado, disse que a bancada tucana ainda está dividida em relação ao apoio à reforma da Previdência, em "processo de convencimento progressivo".

Araújo retomou nesta quarta-feira seu mandato como deputado federal para virar votos a favor da reforma trabalhista e também deve retornar ao Congresso na votação da reforma da Previdência.

O relator da Previdência disse que não pretende fazer mais mudanças em seu substitutivo, mas admitiu a possibilidade de alterações no texto nas próximas votações, por meio de destaques.

Questionado sobre alterações nas regras que dificultam a integralidade para servidores, por exemplo, Arthur Oliveira Maia disse que são mudanças "secundárias". "Se forem aprovadas mediante um destaque, não terão uma significação maior no conjunto do texto", disse.

"Temos ainda seis votações. Obviamente que são seis oportunidades para que se façam modificações no meu relatório."

ATENDIMENTO

Diante da impopularidade da reforma da Previdência, o relator disse que ele e o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), estudam a criação de um canal de atendimento para tirar dúvidas específicas da população sobre as possíveis mudanças na aposentadoria.

"Teremos outra reunião a tarde para construir tipo um 0800, não exatamente isso, mas um canal em que as pessoas possam telefonar ou mandar emails e tirar dúvidas a respeito de problemas específicos de cada um. Tenho certeza que esse nível de esclarecimento vai contribuir enormemente para compreensão e aceitação do texto", defendeu o relator.

GRACINHA

Durante reunião da comissão especial da Previdência destinada a debater o projeto, um episódio que levou os deputados a gargalhadas demonstrou a preocupação com a falta de apoio ao projeto.

O deputado Vinicius Carvalho (PRB) pediu ao presidente da comissão, Carlos Marun, uma previsão sobre quando ele poderia discursar, considerando a lista de inscritos.

"Está adiantado, a previsão é em junho", respondeu Marun.

"Espero que meu voto, então, não faça falta", rebateu Vinicius Carvalho, em tom de brincadeira.

"Passo a palavra a Vossa Excelência neste instante", disse o presidente do colegiado, sem alterar a lista dos inscritos.

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