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Trabalhador está satisfeito com jornada e salário, segundo pesquisa

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FERNANDA PERRIN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O trabalhador brasileiro está satisfeito com sua jornada de trabalho e o salário recebidos, de acordo com pesquisa inédita do IBGE. O estudo foi feito com 25 mil empregados do setor privado e trabalhadores domésticos durante o ano de 2015.

O nível de satisfação é maior entre homens brancos com ensino superior, mais de 50 anos de idade e que ganham mais de cinco salários mínimos.

Profissionais contratados diretamente também tendem a estar mais satisfeitos do que aqueles contratados por intermediação -situação em que se encaixam terceirizados, cooperativas e agenciados, por exemplo.

No questionário, o IBGE perguntou o nível de satisfação do trabalhador em relação a oito pontos: nível de salário, valor do auxílio-alimentação, jornada de trabalho, capacitação profissional, promoção de igualdade de oportunidade e tratamento, salubridade e segurança e benefícios sociais complementares.

As mulheres se dizem mais satisfeitas que os homens em três itens apenas (flexibilidade no horário, promoção de igualdade de oportunidade e tratamento, e salubridade e segurança no trabalho).

Trabalhadores de contratação intermediária fazem avaliação semelhante. Entre eles, o nível de satisfação supera o daqueles contratados diretamente em relação à salubridade e à promoção de igualdade, tal como entre as mulheres.

Mas, diferentemente delas, eles também se dizem mais satisfeitos com o salário recebido e estão tão satisfeitos quanto os contratados diretamente em relação à jornada.

Já no recorte por raça não há exceção: brancos se declaram mais satisfeitos do que pretos e pardos em todos os quesitos.

A parcela de satisfeitos e muito satisfeitos com o nível de salário, complementos e gratificações recebido é de 60% dos trabalhadores.

Quando consideradas apenas as respostas das mulheres, esse percentual cai para 58,5%. Entre pretos e pardos, o nível de satisfação é ainda menor -56,6%.

Os dados refletem a remuneração historicamente inferior recebida por esses grupos no mercado de trabalho.

Na contramão da reforma trabalhista, que propõe liberar a negociação de jornadas de trabalho diferentes do estabelecido na CLT, a maioria dos empregados diz estar satisfeito com sua rotina atual. Cerca de um quarto se disse insatisfeito ou indiferente.

Os mais satisfeitos são os profissionais que trabalham de 15 a 39 horas semanais -75,5% deles se declaram felizes com sua carga horária.

Em seguida, vêm os trabalhadores de jornada de 40 a 44 horas semanais, cujo nível de satisfação atinge 74,6% desse grupo.

Na outra ponta, os mais insatisfeitos são os que trabalham mais: entre quem tem uma jornada de 49 horas ou mais, 59,7% se diz satisfeito.

A flexibilidade no horário também foi bem avaliada pelos trabalhadores brasileiros, sobretudo pelas mulheres e pelos mais jovens (de 16 e 17 anos de idade).

AUXÍLIOS E BENEFÍCIOS

Mais da metade dos trabalhadores brasileiros não recebem nenhum tipo de auxílio-alimentação. O percentual mais alto é na região Nordeste, onde 67,6% disse não receber o benefício.

Por outro lado, o oferecimento de capacitação profissional é frequente entre as empresas, de acordo com os entrevistados -62,7% disseram que existe a opção onde trabalham.

O objetivo do levantamento é ampliar o conhecimento sobre as relações de trabalho e aprimorar indicadores sobre trabalho decente, definido pela Organização Internacional do Trabalho como atividades que gerem renda suficiente para que indivíduos e suas famílias superem a situação de pobreza, e que não sejam insalubres, perigosas, inseguras e degradantes.

Direito de sindicalização e negociação coletiva também fazem parte desse entendimento.

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