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Redução em gastos foi insuficiente para cobrir despesas com Previdência

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MARIANA CARNEIRO E LAÍS ALEGRETTI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os gastos com a Previdência aumentaram R$ 16 bilhões no primeiro trimestre do ano, segundo cálculos preliminares de Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda.

O crescimento das despesas foi muito superior à redução de despesas que, segundo Mansueto, foi de R$ 10 bilhões, em relação aos primeiros três meses do ano passado.

A conta, segundo o secretário, demonstra a necessidade de reforma da Previdência, com o objetivo de moderar seu ritmo de crescimento no longo prazo.

"Isso mostra que cada vez mais a Previdência está deslocando todo o Orcamento público", disse ele, em evento organizado pelo jornal "Valor Econômico".

Mansueto afirmou que, depois do congelamento de gastos previstos para este ano, há três semanas, as despesas discricionárias (não obrigatórias e, por isso, passíveis de corte) deverão aumentar em R$ 40 bilhões, ao passo que as despesas apenas com o INSS, crescerão R$ 52,7 bilhões.

"Só uma conta do INSS vai aumentar mais do que toda a despesa pública do governo federal. Isso significa que outros itens da despesa terão que ser cortados", disse.

O investimento público, que sofre cortes recorrentes e no ano passado foi de R$ 65 bilhões, deverá ser afetado novamente, na previsão de Mansueto.

"O corte no Orçamento vai sim impactar investimentos", afirmou.

"É impossível o Brasil equilibrar suas contas no longo prazo sem uma reforma na Previdência", disse. "Se quiser gastar no longo prazo mais com saúde, segurança, teremos que gastar menos com Previdência."

PROJEÇÕES REFEITAS

As projeções oficiais mostram que os gastos com o INSS atingirão 17,2% do PIB em 2060, já com a reforma da Previdência.

Mansueto observa que a previsão anterior, feita em 2015, mostrava que, sem reforma, as despesas chegariam a 16% do PIB.

A diferença, segundo ele, se deve ao aumento acelerado das despesas nos últimos dois anos.

Em 2016, os gastos com o pagamento de aposentadorias e pensões do INSS somaram 8,1% do PIB. Em 2014, era de 6,9%.

Mas a recessão também contribuiu para a piora recente das estimativas do governo, que não via em 2015 mergulho da economia ainda mais intenso em 2016.

Na projeção feita em 2015, o gasto com Previdência de 8,1% do PIB só seria alcançado daqui a seis anos, em 2023.

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