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Brasil ficará mais limpo e vai atrair mais investidores, diz fundador do Fórum Mundial

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MARIA CRISTINA FRIAS E ELIANE TRINDADE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A próxima edição latino-americana no Fórum Econômico Mundial, em 2018, será em São Paulo, depois de sete anos. O anúncio será feito por Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum, na presença do governador Geraldo Alckmin, nesta sexta-feira (6), em Buenos Aires, onde se realiza a reunião deste ano.

Antes de seguir para a Argentina, Schwab participou no Brasil de encontros com autoridades, empresários e empreendedores sociais, premiados pela parceria da Folha de S.Paulo com a Fundação Schwab.

Em entrevista à reportagem, o idealizador do fórum, que leva todos os anos os mais importantes chefes de Estado e empresários a Davos, se diz otimista com o Brasil e vê sinais promissores de recuperação, mas afirma que "o país não pode perder agora 18 meses de jogo".

Ele disse que ficou surpreso ao saber que brasileiros se aposentam aos 54 anos -na Suíça, a idade mínima é 65.

"É preciso realizar as reformas necessárias e assegurar que esses casos de corrupção não se repitam no passado", afirmou.

O mundo "está regredindo para uma política em que cada país afirma: 'Eu primeiro'".

Para o presidente-executivo do Fórum, o efeito do "brexit" (saída do Reino Unido da União Europeia) será uma Europa mais forte.

BREXIT

"Eu fiquei realmente triste com o Brexit. A Europa testemunhou o que aconteceu na guerras. Na minha classe, metade dos meus colegas de escola perderam seus pais na Segunda Guerra Mundial.

Para mim, a União Europeia é um símbolo de que não haveria mais guerra. A saída do Reino Unido talvez ajude a Europa a permanecer mais unida. O resultado será uma Europa mais forte e que talvez tenha um papel ainda maior nos assuntos globais."

PRESIDENTE TRUMP

"Não sabemos qual será seu peso na história. Donald Trump representa uma nova maneira de abordar a política. Temos de ver quais serão os resultados. O que me preocupa é estarmos regredindo para uma política em que cada país diz: Eu primeiro'."

AMÉRICA LATINA

"O que eu vejo agora no mundo é uma ênfase menor à globalização. Eu sinto que veremos um forte grau de regionalização na América Latina -que sempre foi caracterizada mais por competição do que por cooperação, com ideologias muito mais amigáveis a reformas que possam criar uma América Latina realmente forte."

BRASIL

"Há sinais de que a economia está começando a melhorar, com alta do mercado de ações e a volta da confiança de investidores. São sinais promissores, mas ainda há muito que precisa ser feito.

O desafio-chave será a superação dessa forte desunião política no país. Todos esses casos de corrupção causaram um dano à reputação do Brasil, mas vemos todos os esforços feitos para resolver essas questões, o que ajuda o país. Estou bastante otimista quanto ao futuro do Brasil.

O país não pode perder agora 18 meses de jogo. Se você olhar para os outros competidores entre os Brics, a China mantém uma taxa de crescimento de 6,5%, e a Índia atinge uma taxa de 7%.

O Brasil não pode deixar de retomar um forte crescimento. Mas, claro, é preciso fazer as reformas necessárias e assegurar que essa corrupção que vimos não será mais possível no futuro.

Foi muito impressionante para as pessoas que acompanham o Brasil a independência do seu sistema jurídico. Vamos ter um país mais limpo. E isso vai ajudar a atrair investimentos estrangeiros.

Sublinho que a corrupção não ocorre apenas no Brasil. Vejo todos os esforços para resolver esta questão. Eu sou otimista quanto ao futuro do Brasil."

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

"Gostaria que todos os que trabalham duro tivessem uma aposentadoria, mas temos de considerar que a expectativa de vida cresce e os custos de saúde também aumentam. Para garantir condições decentes de vida para os idosos, penso que devemos flexibilizar a idade de aposentadoria -quem trabalha em minas e tarefas muito pesadas pode ter uma aposentadoria mais cedo.

Na Suíça, após uma grande discussão, igualou-se a idade mínima de homens e mulheres em 65 anos. Na Noruega e na Suécia, é 67."

EMPREENDEDORISMO

"Em tempos de imensas pressões sobre os governos para cortar gastos e fazer reformas, temos de ocupar os espaços onde os governos não podem atender a todos as necessidades sociais que temos.

Além dos empreendedores sociais, as empresas têm de entrar fortemente nas questões sociais."

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