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ATUALIZADA - Após 2 meses de alta, Bolsa termina março em queda de 2,5%; dólar sobe

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EULINA OLIVEIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ibovespa encerrou o mês de março no vermelho, após as fortes altas dos dois meses anteriores. O principal índice da Bolsa acumulou queda de 2,52% neste mês, mas tem alta de 7,9% no ano.

Nesta sexta-feira (31), o Ibovespa iniciou a sessão em baixa, virou para o campo positivo, mas perdeu fôlego, fechando em queda de 0,43%, 64.984,07 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,7 bilhões.

As ações da Petrobras subiram 0,27% (PN) e 0,33% (ON). Os papéis da Vale recuaram 1,12% (PNA) e 1,02 (ON).

Entre os bancos, Itaú Unibanco PN caiu 1,66%; Bradesco PN, -0,79%; Bradesco ON, -1,23%; Banco do Brasil ON, -0,88%; e Santander unit, -1,91%.

O mês de março foi marcado por expectativas de aumento mais forte dos juros americanos, por derrota do presidente americano, Donald Trump, no Congresso, e pelo recuo do petróleo e do minério de ferro.

No cenário doméstico, incertezas causadas pela delação premiada de executivos da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato e dúvidas sobre o avanço das reformas, principalmente a da Previdência, também pressionaram a Bolsa, além do câmbio.

"Hoje [sexta-feira] o mercado ficou meio de lado, e a liquidez foi baixa", comenta Alexandre Soares, analista da corretora BGC Liquidez. Segundo ele, os investidores aguardam os desdobramentos nos campos políticos e econômico para reavaliar suas estratégias. "O mercado ainda está analisando, por exemplo, o impacto da TLP", diz Soares.

A TLP (Taxa de Longo Prazo) será a nova taxa de juros de referência para empréstimos do BNDES a partir de 2018. Desta forma, o custo dessas operações de crédito deixa de ser uma decisão de governo e passa a acompanhar as taxas de juros de mercado.

A TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que é a taxa de referência atual e que foi reduzida nesta quinta (30) de 7,5% para 7% ao ano, permanecerá valendo para o estoque de empréstimos já contratados até o fim de 2017.

CÂMBIO

Após um pregão volátil, no qual chegou a subir mais de 1%, o dólar comercial encerrou a sexta-feira em baixa de 0,44%, a R$ 3,1310. A moeda encerrou março com valorização de 0,55%, tendo recuado nos três meses anteriores. No acumulado do ano, registra queda de 3,72%.

O dólar à vista terminou a sexta-feira cotado a R$ 3,1290. No mês, acumula alta de 1,08% e, no ano, cai 3,86%.

Nesta sexta-feira pela manhã, a moeda americana operou em alta por causa da formação da Ptax (taxa calculada pelo BC e que serve de referência de vários contratos cambiais) do último dia do mês e do trimestre.

Os investidores que apostaram na alta da Ptax fizeram forte pressão para elevar as cotações. Após a formação da taxa, no início da tarde, a moeda americana devolveu os ganhos.

Além disso, o Banco Central realizou nesta sexta-feira leilão de renovação de linha -venda de dólares com compromisso de recompra- no montante de até US$ 2 bilhões, menos da metade do valor que vence na próxima terça-feira (4), de US$ 4,4 bilhões. Ou seja, US$ 2,4 bilhões serão retirados do mercado.

No caso dos contratos de swap cambial -equivalentes à venda futura de dólares- sairão de circulação outros US$ 4,2 bilhões.

Entre o dia 16 de março até esta quinta-feira (30), o BC fez a rolagem de US$ 5,5 bilhões de contratos de swap cambial, de um total de US$ 9,7 bilhões que vencem na segunda-feira (3).

Desta forma, serão enxugados do mercado US$ 6,6 bilhões no início de abril.

De acordo com Ricardo Gomes da Silva, superintendente de câmbio da corretora Correparti, a surpresa foi a renovação parcial da linha de venda de dólares com compromisso de recompra. "O montante que sairá do mercado por causa da redução do estoque de swaps cambiais do BC já estava prevista", explica.

No exterior, o dólar ganhou frente à maior parte das moedas, com o ambiente de maior aversão ao risco e de queda de commodities.

Já os juros futuros negociados na Bolsa fecharam próximos à estabilidade.

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