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Economia

Filas em busca de FGTS se formam em todo o país nesta sexta-feira

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ESTELITA HASS CARAZZAI, LUIZA FRANCO, MARCELO TOLEDO, PAULA SPERB E GABRIEL CARVALHO

CURITIBA, PR, RIO DE JANEIRO, RJ, RIBEIRÃO PRETO, SP, PORTO ALEGRE, RS, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O primeiro dia de saque de contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) está sendo marcado por longas filas em algumas das principais cidades do país.

Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba são algumas das capitais com intensa procura nas agências da Caixa. No interior paulista, o mesmo ocorre em locais como Campinas e Ribeirão Preto.

No Rio, as agências da Caixa ficaram cheias e com longas filas. Na agência do Largo da Carioca, a principal do centro, trabalhadores levaram cerca de meia hora para serem atendidos.

Prevendo a alta procura, o banco remanejou membros da equipe para agências de rua como essa -os funcionários estão nos saguões das agências para esclarecer dúvidas.

Algumas pessoas não conseguiram sacar o dinheiro porque não constavam do sistema automático de liberação. "Nesses casos, são incluídas manualmente por funcionários, e o recurso leva alguns dias para cair na conta", disse Tamara Ribeiro, funcionária do banco.

Também houve quem encontrasse entraves burocráticos. Ancelmo Fernandes disse que não pôde ser atendido porque sua carteira de trabalho é de uma versão antiga.

"Agora tenho medo de não conseguir a nova dentro do prazo para o saque."

Muitos diziam que pretendem usar os recursos para pagar dívidas, como Leila Barros, 55. Demitida de uma empresa de telemarketing há um ano, ela está desempregada e afirmou que usará o dinheiro para quitar contas da casa, como energia e gás, que vem pagando com atraso.

"Não cortaram a luz porque minha família ajudou, não deixaram as dúvidas se acumularem tanto."

Mas havia também trabalhadores que pretendiam usar o dinheiro para investir. Um exemplo era Thiago Vicente, 32, ex-porteiro que quer usar o dinheiro para tirar carteira de motorista e fazer um curso de administração.

Em Curitiba, na maior agência da Caixa, a média foi de um cliente atendido por minuto entre 8h e 10h.

"Está uma loucura, desde de manhã", disse uma funcionária. As filas na agência da praça Carlos Gomes, a maior do Sul do país, se espalharam pelo saguão e, perto das 10h, só para pegar uma senha se levava 20 minutos.

A maioria dos clientes, porém, elogiou a agilidade. Dentro da agência, o tempo médio de espera era de 20 minutos e, depois do pico da manhã, as filas diminuíram para dois minutos.

"Foi bem rápido, graças a Deus. O dinheiro veio em boa hora", disse o sinaleiro Odenir Silviano, 47. Desempregado há sete meses, ele planeja usar o dinheiro para comprar uniformes e material escolar para os filhos.

Já em Salvador, os bancos da agência Iguatemi, uma das principais da cidade, ficaram todos ocupados pelos interessados em sacar o dinheiro do FGTS e uma fila se formou do lado de fora da agência na manhã desta sexta (10). Em outras agências -Relógio de São Pedro e Mercês-, no centro, o cenário era o mesmo.

Dívidas, desemprego e complementação orçamentária eram alguns dos motivos que levaram centenas de pessoas a pelo menos 80 agências em Salvador e região metropolitana desde o início do dia. Segundo estimativa da Caixa, mais de 800 mil baianos devem comparecer às unidades no Estado até 31 de julho para sacar cerca de R$ 1 bilhão.

O vigilante Sérgio da Costa, 43, aproveitou o dia de folga para fazer o saque. "É um dinheiro que chega em boa hora para tirar a gente do sufoco."

Renan Silva André, 29, disse que pagará as dívidas acumuladas nos últimos anos para deixar o nome limpo.

Muitas pessoas que estiveram na Caixa também procuraram o banco em busca de informações.

Desempregada há três anos e sem acesso à internet, a cozinheira Maria da Glória disse à reportagem que trabalhou 13 anos em diferentes períodos, com carteira assinada, e que acredita que receberá algum valor para amenizar as dificuldades enfrentadas nos últimos seis meses.

No interior paulista, filas foram registradas em cidades como Campinas e Ribeirão Preto. Na principal agência da Caixa em Ribeirão, no centro da cidade, o desempregado Alaor Pereira, 49, disse que queria sacar com o objetivo de quitar dívidas com familiares.

"Emprestaram dinheiro porque não consigo emprego, preciso pagá-los agora", disse.

TRANQUILO

Em Porto Alegre, o movimento se concentrou no início da manhã quando as agências abriram, às 8h. Por volta das 10h, uma fila de 20 pessoas em uma agência na praça da Alfândega, no centro, andava rápido.

Quem estava na fila para retirar o FGTS não enfrentou problemas. Mas quem buscava outros serviços precisava aguardar na mesma fila. Foi o caso da gestante Janaína de Miranda, 31, que acabou desistindo de esperar para habilitar o uso do aplicativo do banco no seu celular.

O aposentado Ronaldo Marcelo Coelho, 50, chegou cedo e descobriu que antes de realizar o saque precisava desbloquear sua conta. Por isso, enfrentou a fila duas vezes. Morador de Viamão, na região metropolitana, Coelho pretende usar o dinheiro para reformar a casa própria, em Mostardas (a 122 km de Porto Alegre).

Na agência sede da Caixa, também na praça, o movimento era intenso, mas sem filas. Cinco policiais da Brigada Militar (a PM gaúcha) faziam a segurança da área. De acordo com o sargento Ricardo da Silva, nenhuma ocorrência de furto do saque do FGTS foi registrada durante a manhã.

SÃO PAULO

Em São Paulo, também há registro de filas em lotéricas e também nas regiões mais afastadas. Em Guaianases, trabalhadores chegaram às 5h da manhã e, às 11h, ainda aguardavam atendimento.

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