Economia

Investimentos e indústria têm queda e confirmam retomada mais lenta

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LUCAS VETTORAZZO E FERNANDA PERRIN, ENVIADA ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Esperança para a retomada da economia, os investimentos e o setor industrial não melhoraram no fim do ano passado e fecharam 2016 em queda, divulgou o IBGE nesta terça-feira (7).

Os dados constam do detalhamento do PIB do ano passado, que registrou queda de 3,6%.

O investimento recuou 1,6% no último trimestre do ano passado -resultado menos negativo do que a queda de 3,1% registrada no terceiro trimestre.

No ano, a queda acumulada foi de 10,2%% -em 2015, ano em que o país entrou oficialmente em recessão, o investimento havia caído 14,1%.

Além da queda em valores absolutos, houve recuo também na proporção do investimento em relação ao PIB. A taxa encerrou o ano em 15,4%, percentual mais baixo do que o verificado em 2015, de 18,2%.

Já era esperado que a economia não apresentasse importante recuperação no final do ano passado, ao contrário do que apontavam as expectativas assim que se anunciou a mudança de governo. Ao longo do final do ano passado, os analistas calibraram as expectativas de recuperação somente para o segundo trimestre deste ano.

O corte dos juros, que teve início em outubro, ainda não se refletiu em melhora na produção ou no consumo no país, apontam analistas.

"Cortar os juros não implica necessariamente em elevação do investimento, uma vez que, se a perspectiva de vendas permanecer baixa por causa da queda da demanda, dificilmente os empresários irão investir", afirma o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, em relatório divulgado nesta segunda, antes do anúncio do PIB.

INDÚSTRIA

A indústria brasileira encolheu 3,8% em 2016. No ano anterior, já havia recuado 6,2%.

Também no setor, não foi verificada retomada no último trimestre do ano -houve queda de 2,4% em relação ao mesmo período de 2015. No terceiro trimestre, a variação negativa havia ficado em 1,3%.

O desempenho da indústria está diretamente ligado ao recuo dos investimentos. Em crise desde meados de 2014, a indústria demitiu e reduziu sua produção. Fábricas e linhas de montagem foram fechadas, o que elevou a chamada capacidade ociosa da indústria.

Essa capacidade seria um dos entraves ao investimento. Os empresários estariam aguardando uma melhora na economia para retomar seus níveis de produção.

"O segundo problema é que mesmo que estes empresários quisessem investir, a ociosidade do setor nunca esteve tão elevada", disse Perfeito.