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Start-up ganha destaque internacional com rastreamento de consumidores

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FILIPE OLIVEIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os quatro fundadores da In Loco Media, uma start-up brasileira criada durante curso de ciência da computação na Universidade Federal de Pernambuco, foram aprovados para integrar a rede de empreendedores de impacto da ONG internacional Endeavor.

A seleção ocorreu na quarta-feira (22), em Kuala Lumpur, na Malásia, após processo de seleção que durou um ano.

Na etapa final, os empreendedores foram avaliados por executivos de grandes empresas com atuação na Ásia.

Com a aprovação da In Loco, seus fundadores passam a ter acesso à rede de mentores da Endeavor, que auxilia os empresários eleitos com conselhos e conexões para alavancar seu crescimento.

Criada em 2010, a In Loco Media atua no desenvolvimento de tecnologias baseadas em geolocalização a partir de smartphones e dentro de lugares fechados. Para isso, analisa conjuntamente sinais de wi-fi, campo magnético e sensor de aceleração dos aparelhos.

A empresa consegue, por exemplo, identificar a posição de um consumidor dentro de um shopping ou aeroporto e saber em que loja ele entrou, por exemplo.

Para acessar essas informações, a companhia precisa que o consumidor use um dos 600 aplicativos que são parceiros do serviço (como Easy Taxi, 4shared e Buscapé) e autorize o uso de sua localização. Dessa forma, a companhia tem acesso atualmente à localização de 50 milhões de dispositivos no Brasil e outros 20 milhões em diferentes países.

André Ferraz, 25, presidente da empresa, diz que o serviço não capta informações pessoais, como o nome do usuário. Ele diz que a empresa continuará atuando dessa forma. ‘Poderíamos ganhar mais no curto prazo se tivéssemos acesso a essas informações. Mas acreditamos que não fazer isso será um diferencial no futuro‘, diz.

O principal produto da empresa é o envio de propaganda dentro de aplicativos, que leva em conta a localização dos consumidores e os lugares que frequenta para escolher a quem enviar cada mensagem (concorrendo com gigantes como Google e Facebook).

Desde 2016, a companhia decidiu disponibilizar sua tecnologia para que outras empresas desenvolvessem produtos em conjunto com ela usando recursos de localização.

Ferraz conta que os dois primeiros produtos feitos a partir de parcerias chegaram ao mercado neste ano: um para que bancos aprimorem seu controle de fraudes conhecendo a localização de seus clientes e outro de informações sobre comportamento dos consumidores para para varejistas.

CRESCIMENTO

Ferraz diz que espera que o contato com os mentores ligados à Endeavor ajude a empresa a manter sua cultura e qualidade conforme passa por processo de crescimento acelerado.

A companhia começou o ano de 2015 com 10 pessoas. Agora são 100 e existem 40 vagas em aberto.

A start-up faturou R$ 50 milhões em 2016. Ferraz diz esperar triplicar o valor neste ano.

Ela mantém sua sede em Recife. Também possui profissionais em São Paulo e nos EUA, Argentina, México e Alemanha.

GRUPO SELETO**

No Brasil, 180 empreendedores, de 96 empresas possuem o selo de empreendedor de impacto da Endeavor. No mundo são 1403 empreendedores, de 875 companhias.

A Endeavor avalia cerca de 5.000 empresas brasileiras por ano, e menos de 1% delas são selecionadas.

Empresários renomados fazem parte do conselho da ONG no Brasil e do grupo de 300 mentores atuantes no país. Entre eles estão Fábio Barbosa, Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira, Pedro Passos, Laércio Cosentino, Rodrigo Galindo, Romero Rodrigues, Sonia Hess.

MUDANÇA DE RUMO

O crescimento da In Loco aconteceu após período de dificuldade para encontrar seu modelo de negócios. Foi preciso mudá-lo radicalmente, algo conhecido no setor de tecnologia como ‘pivotagem‘.

A empresa nasceu com o objetivo de fornecer serviço de localização em ambientes fechados para consumidores, ajudando-os a encontrar lojas em um shopping, por exemplo.

Com a proposta, a In Loco venceu o prêmio ‘Sua Ideia Vale R$ 1 milhão‘, que era promovido pelo Buscapé, em 2012 e foi investida pela empresa.

Porém o projeto inicial foi se mostrando pouco lucrativa e foi necessário abandoná-lo.

Ferraz conta que, devido ao contato com o ambiente de comércio eletrônico em que o Buscapé está inserido, percebeu que informações sobre comportamento de consumidores era algo fundamental no varejo eletrônico, em que as interações com as lojas são intensamente monitoradas.

Daí veio a ideia de usar a tecnologia que havia sido desenvolvida para oferecer recursos similares para as lojas físicas, conta. ‘Passamos dois anos trabalhando no primeiro produto, mas nada saiu do lugar. Descobrimos o certo tentando e errando.‘

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