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Economia

Atos de Trump aumentam cautela dos investidores e Bolsa brasileira cai 2,6%

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DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A preocupação dos investidores com os primeiros atos do governo de Donald Trump e uma realização de lucros após seguidas altas na semana passada fizeram o Ibovespa registrar, nesta segunda-feira (30), a maior queda diária em quase dois meses.

A Bolsa brasileira fechou com desvalorização de 2,62%, para 64.301 pontos. Foi a maior queda diária desde 1º de dezembro, quando o Ibovespa recuou 3,88%. O volume financeiro negociado foi de R$ 5,7 bilhões, abaixo da média diária de janeiro, que é de R$ 6,96 bilhões -parte da diminuição da liquidez pode ser atribuída ao fechamento dos mercados chineses devido ao período do Ano Novo Lunar.

O mercado acionário brasileiro foi contaminado pelo mau humor provocado pelas medidas de Trump contra refugiados e imigrantes, que aumentaram a aversão a risco no mundo. As principais Bolsas europeias fecharam em baixa de cerca de 1% -com exceção de Milão e Lisboa, que caíram quase 3%.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones perdia, às 18h38, o patamar de 20 mil pontos alcançado na semana passada, quando o presidente eleito americano indicava uma política fiscal expansionista moldada pelo aumento de gastos e pelo protecionismo.

"Há uma cautela maior com as políticas americanas e também uma correção após a alta observada no mundo desde a eleição do Trump, em novembro", avalia Chow Juei, gestor de recursos da Spinelli Corretora. "Agora, quando efetivamente o Trump está colocando em prática muitos dos pontos controversos que ele defendeu durante a campanha, o mercado começa a reagir mais."

No cenário doméstico, a homologação das delações da Odebrecht pela ministra Cármen Lúcia contribuiu para aumentar a cautela dos investidores locais.

Os depoimentos mencionam, até agora, nomes do governo de Michel Temer, incluindo o próprio presidente, os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, além de parlamentares, entre eles Renan Calheiros (PMDB-AL), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Romero Jucá (PMDB-RR) -todos negam irregularidades.

Os investidores aproveitaram também para embolsar lucro após as sucessivas altas do Ibovespa. Até a última sexta-feira (26), o índice acumulava alta de quase 10% no mês. "O mercado não resiste a um ciclo de duas ou três semanas de valorização seguidas. A correção do Ibovespa ainda deve durar umas duas semanas, com alguns dias de alta", afirma Leandro Martins, analista da corretora Rico.

AÇÕES

Os papéis da Petrobras fecharam em baixa de cerca de 5%, em dia de queda nos preços do petróleo no exterior pela expectativa de aumento semanal na atividade de perfuração dos Estados Unidos. As ações mais negociadas da estatal tiveram queda de 4,99%, para R$ 14,84. Os papéis com direito a voto caíram 5,50%, para R$ 16,14.

A mineradora Vale também teve forte queda em seus papéis nesta sessão. Os papéis preferenciais da empresa recuaram 5,17%, para R$ 30,44. As ações ordinárias caíram 4,30%, para R$ 32,25. Ainda assim, as ações acumulam alta de 30,42% e 25,58%, respectivamente.

Ações de bancos também caíram neste pregão. Papéis do Itaú Unibanco recuaram 2,13%. As ações preferenciais do Bradesco tiveram desvalorização de 1,76% e as ordinárias, de 1,50%. Os papéis do Banco do Brasil caíram 2,77%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil fecharam em baixa de 2,50%.

DÓLAR

Em dia de formação de ptax, taxa que serve como referência para a maioria dos contratos de câmbio, o dólar fechou em queda em relação ao real. O dólar à vista recuou 1,17%, para R$ 3,116, menor patamar desde 25 de outubro do ano passado. O dólar comercial caiu 0,76%, para R$ 3,129.

"Há uma leitura de que os Estados Unidos ficarão menos fortalecidos com as políticas controversas de Trump, e por isso o dólar perdeu força perante várias divisas, entre elas o iene [Japão]", afirma Chow Juei, da Spinelli.

Das 31 principais divisas mundiais, 20 se fortaleceram ante a moeda americana e cinco encerraram o dia estáveis.

No mercado de juros futuros, a maioria dos contratos fechou em alta nesta sessão, refletindo o aumento da aversão a risco. O contrato para abril de 2017 recuou de 12,473% para 12,467%. O contrato com vencimento para janeiro de 2018 teve alta de 10,935% para 10,940%, e o com vencimento para janeiro de 2021 subiu de 10,640% para 10,700%.

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Edhucca

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