Economia

Dólar sobe e Bolsa recua com avanço do PIB dos EUA e petróleo volátil

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (26) em alta de mais de 1% ante o real. A moeda americana foi pressionada pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA acima do esperado e pela volatilidade dos preços do petróleo. A Bolsa recuou, enquanto os juros futuros tiveram leve alta.
O dólar à vista terminou com ganho de 1,10%, a R$ 3,9917; o dólar comercial subiu 1,24%, a R$ 4,000. Até a divulgação do PIB americano, a moeda americana chegou a ser negociada em queda.
A economia americana registrou crescimento de 1% nos últimos três meses do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Departamento do Comércio dos EUA.
O resultado superou o centro das estimativas de economistas e instituições financeiras ouvidos pela agência de notícias Bloomberg, que viam avanço de 0,4% nos últimos três meses do ano passado.
Além disso, veio melhor que a primeira leitura do indicador, que mostrava expansão de 0,7% da economia americana.
Segundo profissionais do mercado, o aumento do PIB americano acima do esperado alimenta expectativas de que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) poderá voltar a elevar os juros mais cedo do que o esperado. Uma alta dos juros norte-americanos levaria a uma saída de investidores de mercados emergentes.
Outro fator que trouxe instabilidade à moeda americana é a formação da Ptax na segunda-feira, último dia do mês. A Ptax é uma taxa calculada pelo Banco Central que serve de referência para diversos contratos cambiais. Operadores costumam disputar para influenciar as cotações, mais favoráveis a suas posições no final do mês.
"O mercado fica pouco previsível quando chega o fim do mês, a gente sabe que tem fatores como a Ptax que levam o real a se descolar dos fundamentos", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.
Muitos operadores relutavam em vender dólares a cotações muito baixas, uma vez que muitos acreditam que a moeda americana deve voltar a subir em meio ao cenário político e econômico conturbado no Brasil.
BOLSAS
Após iniciar o dia em alta, o Ibovespa inverteu o sinal após a divulgação do PIB dos EUA no quarto trimestre de 2015, e assim continuou até o final do pregão.
O principal índice da Bolsa paulista fechou em queda de 0,70%, aos R$ 41.593,08 pontos. O volume financeiro foi de R$ 4,767 bilhões. Na semana, o Ibovespa fechou com alta de apenas 0,12%.
As ações da Petrobras operaram com volatilidade durante a sessão, acompanhando os preços do petróleo. No final, as preferenciais caíram 0,40%, a R$ 4,87, e as ordinárias perderam 1,28%, a R$ 6,89.
As cotações do petróleo perderam o fôlego ao longo da sessão, com os investidores embolsando os lucros após o melhor ganho semanal desde agosto do ano passado. Em Londres, o Brent recuava 0,54%, a US$ 35,10 o barril; nos EUA, o WTI perdia 0,85%, a US$ 32,79.
Nos EUA, pressionados pela alta do dólar e um possível aumento dos juros pelo Fed, o Dow Jones fechou com queda de 0,34% e o S&P 500 perdeu 0,19%. A exceção foi o Nasdaq, que ganhou 0,18%.
As Bolsas europeias fecharam no campo positivo: Londres (+1,38%), Paris (+1,56%), Frankfurt (+1,95%), Madri (+1,63%) e Milão (+2,22%), puxadas pelo bom desempenho de mineradoras com o avanço dos metais.
Na Ásia, as Bolsas chinesas subiram nesta sexta-feira com os mercados tendo um alívio depois da forte queda na sessão anterior. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,95%.
No restante da região, as ações seguiram a mesma trajetória de alta, com os investidores de olho na reunião de líderes dos países do G20, em Xangai, na China.
Em conferência realizada pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) em conjunto com a reunião do G20, o presidente do Banco do Povo da China (o banco central daquele país), Zhou Xiaochuan, repetiu nesta sexta-feira as garantias de que o país não irá realizar outra desvalorização de sua moeda, o yuan, para sustentar a economia.
Ele também buscou controlar as expectativas em torno da velocidade da agenda de reforma econômica da China. "A China vai buscar um equilíbrio entre crescimento, reestruturação e gerenciamento de risco", disse Xiaochuan, presidente do Banco do Povo da China, em inglês.
JUROS
O mercado de juros futuros também operou com volatilidade neste pregão, mas terminou em leve alta. No fechamento, o contrato de DI para janeiro de 2017 passou de 14,215% na véspera para 14,225%; o DI para janeiro de 2021 subiu de 15,710% para 15,740%.
O avanço dos índices de inflação tem pressionado os juros futuros, diante das incertezas se o Banco Central conseguirá manter a taxa básica de juros (Selic) estável nos próximos meses com o quadro inflacionário.