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Economia

Renda do trabalhador doméstico tem maior queda desde 2012

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BRUNO VILLAS BÔAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com o orçamento mais apertado das famílias e a menor oferta de empregos, o rendimento do trabalhador doméstico passa por seu maior revés nos últimos anos, mostram dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (19).
O rendimento real do trabalhador doméstico teve uma queda de 2,4% de setembro a novembro de 2015 na comparação com o mesmo período do ano anterior. O salário foi de R$ 750, abaixo dos R$ 769 de um ano antes.
Trata-se da maior retração do rendimento do trabalhador doméstico na série histórica na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, iniciada pelo instituto no primeiro trimestre de 2012.
Sem oportunidades em setores como comércio e serviços, o trabalho doméstico voltou a ser uma alternativa para muitas mulheres desde o ano passado (95% dos empregados domésticos são do sexo feminino).
Rendimento médio real
Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, essa maior procura por trabalho doméstico ocorre num momento em que as famílias também estão com rendimento menor.
"O emprego doméstico volta a crescer com um salário menor. Pode ser por um acordo entre empregador e empregado doméstico, que trabalha menos horas e recebe diárias menores", disse Azeredo.
Na pesquisa, realizada em domicílios, o IBGE considera trabalhadores doméstico formais e informais, o que explica a renda abaixo do salário mínimo nacional estabelecido para o ano passado, que foi de R$ 788.
Taxa de desocupação
Após recuar nos últimos anos, o número de trabalhadores domésticos voltou a crescer no país. Frente ao trimestre de setembro a novembro de 2014 foram 228 mil a mais, uma alta de 3,8%. São ao todo 6,2 milhões.
A queda na renda do trabalhador doméstico ocorre após a categoria conquistar, nos últimos anos, uma série de direitos trabalhistas, como o FGTS, o INSS e o seguro contra acidentes de trabalho.

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