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Balanço final da Black Friday aponta maior faturamento e menos queixas

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ANNA RANGEL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O balanço final da Black Friday, data em que o comércio oferece descontos em todas as categorias de produtos e que, neste ano, caiu na última sexta-feira (27), aponta crescimento nas vendas totais e diminuição do número de reclamações em órgãos de defesa do consumidor.
A Black Friday movimentou, em 2015, R$ 1,5 bilhão em vendas no varejo on-line. Os valores são reais, com desconto de inflação. A cifra é 76% maior que a arrecadada em 2014, de R$ 872 milhões.
Os dados foram divulgados neste sábado (28) pela ClearSale, empresa especializada em fraudes que monitora o faturamento do evento em parceria com o Busca Descontos, organizador da Black Friday.
O presidente-executivo do site Reclame Aqui, Maurício Vargas, contesta os números apresentados pela ClearSale e pelo Busca Descontos. "Eu afirmo que as lojas não venderam", diz. "Nosso monitoramento não aponta isso, nem os relatos que recebemos das próprias empresas".
"O que apuramos é que o total foi de R$ 600 a 700 milhões, no máximo", afirma Vargas. "Uma das maiores varejistas do Brasil tinha como meta 1,2 milhão de pedidos. Se tiveram 800 mil, foi muito".
O número de lojas participantes também cresceu, com aumento do leque de produtos oferecidos: neste ano, foi possível pagar valores promocionais em produtos como dólares e investimentos, apartamentos e bolsas de luxo, por exemplo.
O faturamento superou os valores das estimativas, de acordo com os dados da ClearSale e do Busca Descontos, que indicavam um total de R$ 978 milhões.
As categorias com o maior número de transações registradas são as de eletrodomésticos (R$ 370,85 milhões), celulares (R$ 327,89 milhões) e eletrônicos (R$ 240,15 milhões).
O primeiro lugar nas vendas da Black Friday ficou com a região Sudeste, com 63%, seguido pelo Nordeste (14%), Sul (13%), Centro-Oeste (6%) e Norte (2%).
Entre as capitais, a primeira posição é ocupada por São Paulo, com 12,6%, seguida pelo Rio de Janeiro (7,5%) e Belo Horizonte (2,2%).
Ainda de acordo com o levantamento, foram realizados 3,1 milhões de pedidos, um aumento de 49% em relação ao ano passado. O tíquete médio foi de R$ 492.
PROCON-SP
O Procon-SP registrou 1.184 atendimentos nas 29 horas de plantão especial para a data -das 19h de quinta-feira, dia 26, até a meia-noite do dia 27- e a abertura de 331 ações fiscalizatórias, após visitas em 143 lojas físicas em São Paulo e no interior do Estado.
Os principais motivos para queixa são maquiagem de desconto (28,3%), produto ou serviço indisponível (26%), mudança de preço ao finalizar a compra (16,4%) e site intermitente (5,1%).
A diretora-executiva do Procon-SP, Ivete Ribeiro, acredita que o número menor de queixas está relacionado com o amadurecimento do público.
"O consumidor tem pesquisado e comprado, cada vez mais, de forma informada", diz. "Se as vendas de 2015 foram maiores, isso significa que o consumidor está mais atento e que as empresas ofereceram promoções mais verdadeiras".
Em relação a 2014, porém, o Procon-SP notou um novo comportamento por parte das lojas: os fretes abusivos. "O valor não pode ser excessivo, como forma de recompor o preço. Vimos casos em que o produto custava R$100, e o frete, R$ 120", afirma.
O órgão informou que monitorou os preços das ofertas desde setembro, como forma de garantir que os preços não seriam majorados logo antes da data, dando uma impressão ilusória de desconto.
RECLAME AQUI
O site Reclame Aqui contabilizou 4.400 reclamações das 10h de quinta (26) à meia-noite deste sábado.
Em 2014, a empresa registrou mais de 12 mil protestos durante toda a Black Friday, o que representa uma redução de 33% nas queixas deste ano.
Para o Reclame Aqui, o número de protestos caiu em razão de um menor número de compras pela crise. "Temos milhões de pessoas desempregadas nos últimos meses, ninguém tem dinheiro", afirma Vargas. "Não venderam o mesmo que no ano passado".
Os principais motivos de queixa foram propaganda enganosa (36%), dificuldade para finalizar a compra (9,1%) e divergência sobre o valor cobrado (7,1%).
A maioria dos casos foram em relação aos produtos de informática, com 524 reclamações. Na sequência, estão os telefones celulares (512), eletroeletrônicos (321), eletrodomésticos (218) e cartões de crédito (142).
O site também conduziu um monitoramento das redes sociais das principais varejistas durante a data.
"Em nosso monitoramento, a 'Black Friday' não chegou nem às dez primeiras posições dos Trending Topics [menções mais populares na rede social] do Twitter", afirma Vargas.
Foram 164 mil menções, com apenas 4% de postagens positivas, 36% negativas e 3% mistas. O restante representa as menções neutras.




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