Mais lidas
Economia

Criadores de conteúdo on-line buscam alternativas para faturar

.

MATEUS LUIZ DE SOUZA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ganhar dinheiro na internet é hoje o sonho de muitos jovens, principalmente no YouTube, após histórias de sucesso como a de Pedro Afonso Rezende, 19, que possui mais de 1 bilhão de visualizações em seu canal sobre games. Ele fatura atualmente R$ 1 milhão por ano com os vídeos.
Felipe Castanhari, 25, tem 4,3 milhões de inscritos em seu "Canal Nostalgia". O jovem encara com normalidade a febre atual de quem busca faturar com o site de vídeos. "É como uma profissão. Tem gente que quer ser médico, tem gente que quer ser youtuber", diz.
A chamada monetização (forma de ganhar dinheiro) foi tema de uma das palestras do youPIX CON, que acontece nesta quarta-feira (23) em São Paulo, e debate produção de conteúdo digital. Na mesa, havia representantes dos dois lados da moeda: dos produtores e dos publicitários.
Na avaliação dos palestrantes, a publicidade no Brasil ainda está engatinhando frente a outros mercados como o dos Estados Unidos. "Por aqui falam 'estamos estudando a inserção no mercado', enquanto lá fora já estudaram e estão inseridas na produção digital", avalia Caio Teixeira, cofundador do site de games Overloadr.
E isso dificulta o crescimento dos criadores digitais. Principalmente porque há menos dinheiro disponível para investir em conteúdo. "Os anunciantes não pensam em pequenos e médios canais. É sempre aquela história 'talvez sobre algum dinheiro, hoje eu não tenho dinheiro'. Isso em marcas que ganham milhões", diz Teixeira.
Mas é raro que toda a renda de webcelebridades venha apenas de publicidade: muitas vendem produtos personalizados de sua marca.
Christian Figueiredo, do canal "Eu Fico Loko", com 3,3 milhões de inscritos, lançou este mês o seu segundo livro, o "Eu Fico Loko 2". O mesmo caminho segue Kéfera, do canal "5inco Minutos", com 5,8 milhões de pessoas inscritas, que lançou o livro "Muito mais que 5inco Minutos" e tem a sua loja oficial. O comércio eletrônico já corresponde à metade do negócio de Alexandre Ottoni, o Jovem Nerd.
Diretor criativo da agência África, Eco Moliterno deu alguns conselhos aos criadores de conteúdo durante a palestra: "Criem algo que uma marca grande não faria, por ser mais engessada. Vocês têm uma liberdade que elas não têm. É preciso dar um passo para trás, para dar cem passos para a frente."
Para Daniel Conti, sócio da Vice, uma maneira de aumentar a receita publicitária é ampliar o posicionamento da sua marca frente ao público. "Quem dá as cartas hoje é o conteúdo, é o consumidor final. O que a audiência pede é o que a marca tem que trabalhar."
E o êxito desse trabalho não deve mais ser medido apenas considerando as métricas, segundo Conti. "Às vezes, a métrica não traz o verdadeiro resultado. Hoje vale mais o retorno qualitativo, quando construímos um conteúdo com engajamento."
OUTROS CAMINHOS
Outra aposta dos criadores de conteúdo para rentabilidade tem sido o Patreon, plataforma de financiamento coletivo direcionada ao público criador, inclusive artistas e músicos. Diferente de "crowdfundings" como o Catarse, a ideia não é financiar grandes projetos, mas, sim, ter uma base de contribuição fixa por mês que permita ao projeto dar certo.
O Patreon fica com 5% de cada contribuição, cujo mínimo é US$ 1 (R$ 4). Outras taxas, como a de transação do cartão de crédito, ficam por conta do financiado. Com dois anos de vida, o site arrecada US$ 2 milhões por mês, de 210 mil apoiadores para 10 mil artistas.
Profissionais como fotógrafos também têm procurado tirar proveito das possibilidades de remuneração pela internet. No caso do fotógrafo Paulo Pampolim, de maneira até inusitada -sem a sua câmera profissional. "Faço coberturas de eventos com meu smartphone, a pedido dos organizadores. Tem a vantagem das pessoas presentes verem na hora. Com a tecnologia dos novos celulares, a imagem não perde tanto em qualidade".
Para Castanhari, do "Canal Nostalgia", no entanto, o dinheiro não deve ser o foco para quem está começando, exatamente para evitar a frustração que pode acontecer. "No YouTube não há garantia nenhuma de que tempo é dinheiro".

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber