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Fundos cambiais lideram ranking de investimentos pelo 3º mês seguido

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ANDERSON FIGO E DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A turbulência causada pela China e o cenário político conturbado no Brasil levaram os fundos cambiais a liderar em agosto, pelo terceiro mês seguido, o ranking de aplicações da Folha de S.Paulo no acumulado em 12 meses. O levantamento computa o desempenho mensal e em 12 meses e desconta Imposto de Renda. Vale destacar que, quando há perda, o IR não é cobrado.
O dólar fechou o mês com valorização de 6,2%, cotado a R$ 3,633. Com isso, os fundos cambiais tiveram alta de 49,4% em 12 meses (após desconto de IR, que é de 17,5% na categoria para o período). No mês, avançaram 4,66% -já sem o IR.
Em segundo lugar no ranking em 12 meses ficou o ouro, com valorização de 42,16%. No mês, o metal teve alta de 10,04%, impulsionado pela valorização do dólar no Brasil.
A inflação medida pelo IPCA (índice oficial) foi de 9,56% nos 12 meses encerrados em julho. Para agosto, a projeção é de 0,25%, de acordo com a mais recente pesquisa semanal do Banco Central com economistas (o Boletim Focus).
Além do desempenho no mês, que ajuda a identificar as principais influências momentâneas sobre os investimentos, o retorno em 12 meses é considerado no levantamento da Folha de S.Paulo como forma de avaliar o desempenho dos investimentos em um prazo maior. Manter uma aplicação por pelo menos um ano também reduz a alíquota de IR a pagar em alguns casos.
Apesar de se beneficiar do atual contexto de valorização do câmbio, a aplicação em fundo cambial é considerada uma forma de proteção para pessoas com despesas programadas em dólar -como um filho que mora no exterior.
Fora dessa circunstância, o produto não é recomendado por consultores como alternativa a pequenos investidores, uma vez que o preço do dólar oscila muito e as taxas de juros, que remuneram a renda fixa, estão elevadas -atualmente, a Selic (taxa básica de juros) está em 14,25% ao ano.
Vale destacar ainda que a rentabilidade passada não é garantia de rendimento futuro.
A pior aplicação em 12 meses foi em fundos de ações livres, alternativa para o pequeno investidor que deseja aplicar em Bolsa. No período, houve queda de 8,6%. No mês, os fundos de ações livres perderam 5,5%.
DÓLAR
No mês, a valorização do dólar teve influência de fatores externos, como as turbulências causadas pela China -com o estouro da bolha acionária no gigante asiático e também pela desvalorização do yuan.
"A China é um importador grande. Se a economia de lá começa a desacelerar, isso nos afeta diretamente. Mas a pauta doméstica segue sendo o principal vetor desse desempenho do dólar em agosto", avalia Fernando Bergallo, gerente de câmbio simplificado da TOV corretora.
Os embates entre governo e o Congresso ganharam um novo capítulo com o afastamento do vice-presidente, Michel Temer, da articulação política.
Além disso, persiste a preocupação com a situação fiscal. Nesta segunda-feira, o governo apresentou a proposta de Orçamento da União de 2016 com previsão de deficit primário de R$ 30,5 bilhões, o que representa 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).
"Se o governo não conseguir controlar o fiscal, haverá corte da nota do país, e isso afeta diretamente o câmbio", diz Bergallo. "Um anúncio antecipado de deficit, embora mostre transparência, indica algo negativo."
Avaliação parecida tem Maurício Nakahodo, economista do Banco de Tokyo-Mitsubishi. "A expectativa de crescimento fraco no ano que vem é um cenário complicado para compor um superavit primário. Precisa ver se o governo vai adotar novas medidas para compensar isso".
A expectativa com a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos ainda em 2015 também pressionou a cotação da moeda americana no Brasil. Economistas esperavam um aumento já na reunião de setembro do Federal Reserve (Fed, banco central americano). No entanto, a crise na China reforçou a expectativa de uma elevação somente em dezembro.
Caso o Fed aumente os juros, os investidores poderiam retirar o dinheiro de países emergentes, como o Brasil, e aplicar nos títulos americanos, considerados mais seguros. Com a perspectiva de maior saída de dólares na economia brasileira, a cotação da moeda sobe.
OURO
A alta do ouro em 12 meses se deve basicamente à valorização do dólar no Brasil, afirma Diego Lima Sato, operador de mesa de ouro da Ourominas. O preço da commodity aqui é formado pela cotação do dólar no Brasil e pelo valor do ouro no exterior.
"O ouro só não liderou os investimentos porque o preço da onça desacelerou por causa da China. A perspectiva até o final do ano é que o ouro continue subindo, porque o dólar deve seguir se valorizando", afirma.
Para investir em ouro, é possível comprar contratos negociados na BM&FBovespa, que são padronizados em 250 gramas. O grama hoje está R$ 131,50. Quem quiser comprar uma barra terá de desembolsar R$ 32.875. Há corretoras, porém, que oferecem contratos com quantidades menores do metal.
O metal é considerado uma opção segura de investimento e, por isso, é mais procurado em momentos de instabilidade no mercado financeiro, como o atual. O ouro é isento de Imposto de Renda para movimentações até R$ 20 mil.
BOLSA
A Bolsa voltou teve queda pelo segundo mês seguido. Em agosto, o Ibovespa, o principal índice do mercado acionário brasileiro, caiu 8,33%. Em 12 meses a queda chegou a 23,92%. A desaceleração da economia brasileira e a instabilidade política, além das turbulências na China, elevaram a aversão ao risco no mês.
"Há uma preocupação maior por parte dos investidores em relação ao grau de investimento do país. O estrangeiro está saindo da Bolsa. O dinheiro do estrangeiro que entra no mercado local é o chamado 'smart money', de curto prazo, quando os estrangeiros aproveitam oportunidades", afirma Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Corretora.
O cenário ainda é desafiador para a Bolsa até o fim do ano, afirma. "A volatilidade veio e vai ficar, principalmente porque o volume é baixo. Enquanto não houver uma perspectiva melhor para a economia, esse quadro vai se manter assim. Com a taxa de juros tão alta, correr risco na Bolsa não é uma opção atraente. É melhor ficar na segurança da renda fixa."
RENDA FIXA
O aumento do juro básico (Selic) vem favorecendo os fundos de renda fixa e DI. Ambos tiveram valorização de 10,33% em 12 meses (após o desconto de IR), respectivamente. No mês, as altas foram de 0,58% e 0,79%, respectivamente.
Esses produtos aplicam em títulos cuja remuneração acompanha a tendência do juro básico, ou que estão atrelados à própria Selic.
A poupança -tanto para depósitos até 3 de maio de 2012 quanto após essa data- rendeu 7,66% em 12 meses e 0,69% em agosto.

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