Mais lidas
Economia

Três de cada dez novos desempregados do país vivem no Estado de São Paulo

.

BRUNO VILLAS BÔAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com a crise na indústria e na construção, São Paulo responde por três de cada dez novas pessoas desempregadas no país, segundo dados divulgados do IBGE nesta terça-feira (25).
No Estado de São Paulo, houve um incremento em 489 mil desempregados no segundo trimestre deste ano, frente ao mesmo período do ano passado, que levou a um total de 2,113 milhões de pessoas sem trabalho.
Comparada ao cenário nacional, a parcela de São Paulo corresponde a 30% do total de 1,587 milhão de novos desempregados registrados no país. No segundo trimestre deste ano, o número de desempregados no Brasil chegou a 8,354 milhões de pessoas.
O aumento do número de desempregados em São Paulo também foi mais rápido do que no país inteiro: cresceu 30% de abril a junho deste ano, frente ao mesmo período de 2014. No país, esse aumento foi de 23,5%.
São Paulo fechou o segundo trimestre com uma taxa de desemprego média de 9%, acima da taxa nacional de 8,3%. Os dados fazem parte da pesquisa Pnad Contínua, que divulga a taxa trimestral a cada mês.
Trata-se da maior taxa de desemprego do estado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. É também a maior para a região Sudeste, superando Rio de Janeiro (7,2%), Espírito Santo (6,6%) e Minas Gerais (6,6%).
Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto, os números chamam a atenção porque São Paulo seria uma espécie de "farol" do mercado de trabalho brasileiro.
"É um dos principais centros industriais do país. São Paulo tem aquele efeito farol, de acontecer em São Paulo e depois refletir nas demais regiões. Foi uma taxa recorde, acima da média, e por ser um dos centros mais importantes isso preocupa", disse Azeredo.
A história do mercado de trabalho de São Paulo é parecido com o do restante do país. Mais gente decidiu procurar emprego para recompor a renda da família, mas encontrou um mercado de trabalho que não gera vagas suficientes.
No segundo trimestre deste ano, a população ocupada do estado de São Paulo encolheu em 61 mil pessoas, para 21,389 milhões, queda de 0,3%. Essa variação é considerada estatisticamente estável para o IBGE.
Na comparação ao segundo trimestre do ano passado, os setores com pior desempenho em São Paulo foram construção (255 mil vagas cortadas), outros serviços (57 mil postos fechados) e comércio (43 mil vagas perdidas).
Já na comparação ao primeiro trimestre deste ano, a indústria fechou 165 mil vagas, uma queda de 4%. Os setor industrial representa 18,5% dos empregos do estado, acima mesmo do comércio (17,7%), uma concentração incomum.
Com os cortes em setores tradicionalmente mais formais, 422 mil trabalhadores perderam o status de carteira assinada, uma queda de 3,9% na comparação ao segundo trimestre do ano passado, para 10,8 milhões de pessoas.

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber