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Economia

Bolsa tem 4ª queda e atinge menor patamar em seis meses; dólar cai

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira fechou em baixa pelo quarto dia seguido e atingiu o menor patamar em seis meses nesta sexta-feira (14), arrastada por balanços corporativos abaixo do esperado. Já o dólar reagiu à trégua no cenário político e encerrou o dia abaixo de R$ 3,50, na contramão do exterior.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 1,07%, para R$ 3,473. Na semana, a queda foi de 1,12%, mas no ano a moeda acumula ganho de 31,2%.
O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, teve queda de 0,88%, para R$ 3,483. Na semana, a desvalorização foi de 0,77%. No ano, a alta é de 30,8%.
O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, encerrou o dia com queda de 1,04%, para 47.508 pontos. É o menor patamar desde 30 de janeiro deste ano, quando o Ibovespa fechou a 46.907 pontos. Na semana, a Bolsa caiu 2,2%, e no ano acumula perda de 4,9%.
No cenário político, as notícias acalmaram os investidores. Na quinta-feira, o STF (Supremo Tribunal Federal) enfraqueceu a articulação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para votar as contas anuais de presidentes da República separadamente em cada Casa. Na decisão, o ministro do STF Luís Roberto Barroso afirmou que o julgamento deve ocorrer em sessão conjunta do Congresso Nacional, com análise de deputados e senadores.
"O vetor da alta do dólar era a crise política, que deu sinais de ter diminuído. O câmbio mostrou uma maior cautela do investidor", afirma André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. "Mas se domingo a manifestação for um sucesso e se o [presidente da Câmara, Eduardo] Cunha continuar fazendo sua política suicida para o país, o dólar pode 'estressar' de novo."
A avaliação é parecida com a de Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. "Ninguém sabe o tamanho e o papel que a manifestação vai efetivamente ter. Se surpreender, pode ter reflexo na segunda."
EXTERIOR
A desvalorização do dólar contrariou a tendência da moeda no exterior. Das 24 principais divisas emergentes, apenas seis conseguiram se apreciar em relação ao dólar. O real teve a maior valorização.
Dos Estados Unidos vieram notícias mistas. A produção industrial avançou em julho no ritmo mais forte em oito meses, com salto na fabricação de automóveis, em um sinal otimista para o crescimento econômico no terceiro trimestre.
Por outro lado, a confiança dos consumidores dos Estados Unidos caiu mais do que o esperado em agosto. A leitura preliminar da Universidade do Michigan para o índice geral da confiança do consumidor ficou em 92,9, abaixo da leitura final de julho de 93,1.
Os dados podem fazer com que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) adie a decisão de aumentar os juros no país para o fim do ano, contra expectativa de elevação já em setembro.
O aumento dos juros nos EUA deixaria os títulos do Tesouro americano -cuja remuneração acompanha essa taxa e que são considerados de baixíssimo risco- mais atraentes do que aplicações em emergentes, como o Brasil, provocando uma saída de recursos dessas economias. Com a menor oferta de dólares, a cotação do dólar seria pressionada para cima.
Já na China, o yuan interrompeu série de três quedas e subiu em relação ao dólar nesta sexta-feira.
"A China está adotando as medidas para melhorar sua economia e evitar uma desaceleração que, aí sim, poderia agravar a economia dela e de outros países", afirma André Perfeito, da Gradual.
O movimento do banco central chinês de ajustar a taxa referencial -que orienta e limita a variação que a moeda poderá ter no mercado- aplaca o temor de que a desvalorização seria um movimento prolongado face a uma piora nos indicadores econômicos.
BOLSA
Os resultados de empresas e ações de Petrobras e Vale pesaram nesta sexta-feira. Os papéis mais negociados da Petrobras fecharam com queda de 2,21%, para R$ 9,30, e aqueles com direito a voto tiveram desvalorização de 2,17%, para R$ 10,35.
Acionistas minoritários da empresa anunciaram nesta sexta que vão ingressar com uma ação civil pública para pedir ressarcimento pelos prejuízos gerados aos papéis da companhia devido aos escândalos de corrupção.
Os papéis da mineradora Vale caíram pelo segundo dia, acompanhando a queda do minério de ferro no exterior. Ações preferenciais perderam 1,92%, para R$ 14,34, e as ordinárias se desvalorizaram 1,52%, para R$ 18,20.
As ações da BM&FBovespa, que abriram em alta, encerraram o dia com queda de 0,47%, para R$ 10,65. A empresa anunciou na quinta-feira que teve lucro líquido de R$ 318 milhões no segundo trimestre, alta de 27,2% sobre o resultado positivo de um ano antes.
Já os papéis da Gol despencaram 7,39%, para R$ 5,01. A companhia aérea teve prejuízo líquido de R$ 354,9 milhões no segundo trimestre, ampliando o resultado negativo obtido do mesmo período do ano passado, impactada pela redução de preços de passagens e do volume de passageiros corporativos, além de leve aumento das despesas.
As ações da JBS tiveram baixa de 3,95%, para R$ 15,07. A produtora de carnes teve lucro líquido de R$ 80,1 milhões no segundo trimestre, queda de 68,5% sobre o mesmo período do ano anterior, afetada pela piora de seu resultado financeiro, informou na noite de quinta-feira (13).
As ações do Itaú caíram 0,11%, para R$ 26,67, enquanto os papéis preferenciais do Bradesco tiveram desvalorização de 0,70%, para R$ 24,21.
No sentido contrário, as ações da Lojas Americanas fecharam em alta de 4,40%, mesmo após a empresa anunciar queda de 60% de seu lucro líquido no segundo trimestre, para R$ 17,3 milhões. A avaliação do mercado foi pautada pelo sólido crescimento das vendas nas mesmas lojas, expansão consistente e elevação de margem bruta.




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