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Economia

Dólar fecha em baixa com Moody's; Bolsa atinge menor nível em 5 meses

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O "voto de confiança" dado pela agência de classificação de risco Moody's ao governo brasileiro fez com que o dólar fechasse abaixo de R$ 3,50 nesta quarta-feira (12). Apesar do alívio, preocupações com China voltaram a pesar sobre os mercados e derrubaram a Bolsa brasileira para o menor patamar em cinco meses.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em baixa de 0,56%, para R$ 3,485. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, caiu 0,65%, para R$ 3,475.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o dia com desvalorização de 1,39%, para 48.388 pontos, no menor nível desde 10 de março, quando o índice fechou a 48.293 pontos.
A decisão da Moody's de rebaixar a nota de crédito do país e de colocá-la em perspectiva estável foi vista como uma nova oportunidade para o governo conseguir aprovar os ajustes fiscais, afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.
"O mercado esperava um corte que tirasse o grau de investimento do país. Ao colocar a nota em perspectiva estável, a Moody's deu um tempo a mais para o governo tentar se recompor e levar adiante um ajuste fiscal mais crível que leve a dívida pública para uma trajetória sustentável", avalia.
Apesar do voto de confiança, a situação do país é complicada, diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. "Estamos na linha d'água no que diz respeito ao rating soberano. Qualquer corte além do patamar atual e o barco afunda", diz.
"O mercado não quer ser surpreendido, por isso tem operado no limite, próximo a R$ 3,50, porque viu que o Banco Central aumentou a rolagem quando o dólar começou a subir além desse patamar", afirma Galhardo.
Segundo ele, caso a moeda americana continue a se apreciar em relação ao real, o BC poderia fazer um leilão extraordinário de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) para saber quanto da demanda por dólares é especulação e quanto é real necessidade de liquidez do mercado.
CHINA
As incertezas sobre a economia chinesa pesaram nos mercados nesta quarta-feira. O governo chinês realizou nova intervenção no mercado cambial e desvalorizou o yuan pelo segundo dia seguido. A medida busca tornar a economia chinesa mais competitiva e melhorar as contas do país.
Nesta quarta-feira, a China divulgou que sua produção industrial cresceu 6% em julho na comparação com um ano antes, abaixo das estimativas do mercado. O investimento em capital fixo, um motor crucial da segunda maior economia do mundo, avançou 11,2% nos primeiros sete meses do ano em relação ao mesmo período de 2014, informou a Agência Nacional de Estatísticas chinesa.
"A China tenta exportar mais e importar menos. Mas as intervenções podem atrapalhar os planos dos EUA e do mundo inteiro de recuperação econômica", avalia Galhardo, da Treviso. "Nós aqui temos uma crise política instalada que independe do que está acontecendo lá fora."
A decisão chinesa teve impacto bem menor sobre as moedas emergentes nesta quarta-feira. Das 24 principais divisas emergentes, 15 se valorizaram ante o dólar. No dia anterior, apenas uma moeda conseguiu se apreciar em relação ao dólar.
CENÁRIO INTERNO
Os investidores seguem atentos ao cenário político do país. A Câmara dos Deputados rejeitou incluir na proposta de emenda 443 -que eleva os salários de parte da cúpula do funcionalismo- os auditores fiscais da Receita Federal e do Trabalho. Se a emenda passasse, o custo do projeto subiria de R$ 2,5 bilhões para cerca de R$ 7 bilhões.
Além disso, o TCU (Tribunal de Contas da União) deu mais 15 dias de prazo para a presidente explicar novas irregularidades apontadas pelo Ministério Público do Tribunal e por um dos ministros-substitutos, ministro André Luiz de Carvalho.
As atenções começam a se voltar para as manifestações de domingo contra o governo, afirma Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest. "A passeata tem um peso relevante, pois vai demonstrar o grau de insatisfação da população de uma maneira geral. Principalmente se isso ficar mais evidente nos Estados do Norte e Nordeste, tradicional reduto do governo", afirma.
BOLSA
A desvalorização das ações de Itaú Unibanco, Bradesco e Ambev -que somam 28,5% do peso do Ibovespa- pesou nesta quarta-feira. Os papéis do Itaú Unibanco fecharam em queda de 2,88%, para R$ 27,68. As ações preferenciais do Bradesco cederam 3,21%, para R$ 24,75, enquanto as ordinárias caíram 2,66%, para R$ 25,95.
A queda ocorreu após a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) propor a elevação da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) das instituições financeiras de 15% para 23%. A proposta consta em relatório à comissão mista do Congresso que avalia a Medida Provisória 675.
No parecer, a senadora aceitou parcialmente emendas que pedem a redução do crédito presumido do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para empresas envasadoras de bebidas instaladas na Zona Franca de Manaus.
Com a perspectiva de taxação maior, as ações da Ambev fecharam o dia com desvalorização de 3,63%, para R$ 18,84.
As ações da mineradora Vale, que abriram em baixa sob impacto de China, fecharam no azul. Os papéis preferenciais subiram 1,64%, para R$ 14,90, e os ordinários encerram em alta de 1,72%, para R$ 18,92.
As ações da Petrobras também subiram, após a Moody's manter o rating da empresa, incluindo o rating de dívida Ba2, com perspectiva estável. Os papéis mais negociados da petrolífera subiram 0,51%, para R$ 9,88. As ações ordinárias tiveram alta de 0,55%, para R$ 11,03.

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