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Dólar quebra série de seis altas e fecha em baixa, cotado a R$ 3,51; Bolsa cai

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DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar quebrou sequências de seis altas e fechou em baixa nesta sexta-feira (7), cotado a R$ 3,51, um dia após o Banco Central anunciar que aumentará a intervenção no mercado cambial para tentar conter uma valorização maior da moeda americana.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve queda de 0,61%, para R$ 3,512. Na semana, porém, o dólar acumulou valorização de 2,69%, enquanto no ano sobe 32,6%.
O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, fechou em baixa de 0,70%, para R$ 3,510, mas registrou ganho de 2,48% na semana e de 31,9% no ano.
O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, caiu pelo segundo dia em meio a turbulências políticas. O índice sofreu desvalorização de 2,87%, para 48.577 pontos. Com a queda, a Bolsa registrou o menor patamar desde 10 de março deste ano. No ano, o Ibovespa registra queda de 2,86%.
O aumento das intervenções do Banco Central no câmbio contiveram a valorização da moeda americana, na avaliação de Felipe Miranda, analista e sócio da Empiricus Research.
"Com o aumento da atuação, o BC tirou uma dinâmica óbvia de valorização do dólar, mas não inverteu a tendência de apreciação da moeda americana, que é causada por fatores políticos e externos", diz.
A autoridade monetária ampliou a oferta de contratos conhecidos como swap cambial. Antes do anúncio, o BC mantinha a disposição de diminuir, gradualmente, a oferta desses contratos. A expectativa, até então, era de rolar apenas 60% dos contratos existentes.
Para o leilão desta sexta (7), o BC elevou de 6.000 para 11 mil o volume de contratos oferecidos. Se mantiver o novo ritmo até o fim do mês, o BC vai renovar praticamente 100% do lote desses contratos que vence em setembro.
"A decisão foi uma maneira de o Banco Central reconhecer que o real está enfraquecido. Mas, ao fazer esse reconhecimento, ele pode piorar o cenário e iniciar um cabo de guerra com o mercado que não deveríamos ver nesse momento", avalia Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
CRISE
As tensões políticas também deram o tom no mercado nesta sexta-feira. O vice-presidente Michel Temer colocou o cargo de coordenação política à disposição de Dilma Rousseff após declarações nas quais afirmou que o país precisava de "alguém [que] tenha a capacidade de reunificar a todos".
"As questões políticas ganharam um peso muito forte no mercado financeiro. Deslocou-se de uma questão econômica para uma análise da capacidade da presidente de organizar o governo", avalia André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. "A tendência é que as tensões políticas piorem ao longo do mês, causando mais desvalorização do real. Pode-se considerar que R$ 3,50 é o novo patamar da moeda", afirma.
Na avaliação do economista, a apreciação do dólar deve forçar o Banco Central a dar continuidade ao aumento da taxa básica de juros. Na ata divulgada após a última reunião de política monetária, o BC sinalizou o fim do ciclo de aperto monetário.
EUA
O desemprego nos Estados Unidos se manteve estável em 5,3% em julho, mês em que foram criados 215 mil postos de trabalho no país.
O índice repetiu o padrão de mais de 200 mil vagas registrado em 16 dos últimos 17 meses -março de 2015 registrou a criação de 85 mil vagas. Mas ficou abaixo da média de 246 mil vagas criadas nos últimos 12 meses.
"Os níveis são suficientemente tranquilos para que a normalização da política monetária comece nos Estados Unidos. Mas ainda acho que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) deve começar a aumentar as taxas de juros em janeiro, pois o preço do petróleo está atrasando a recuperação da economia americana", afirma Figueredo, da Clear.
Parte da alta dos juros nos EUA já está precificada no dólar atualmente, avalia André Perfeito, da Gradual. "O mercado antecipa e já colocou no preço essa possibilidade, embora eu acredite que isso só vai ocorrer mais para o fim do ano", diz.
O aumento dos juros nos EUA deixaria os títulos do Tesouro americano -cuja remuneração acompanha essa taxa e que são considerados de baixíssimo risco- mais atraentes do que aplicações em emergentes, como o Brasil, provocando uma saída de recursos dessas economias. Com a menor oferta de dólares, a cotação do dólar seria pressionada para cima.
BOLSA
As incertezas políticas e rumores de que a presidente Dilma Rousseff teria preparado uma carta de renúncia aumentaram o mau humor no mercado nesta sexta-feira. Durante a tarde, Dilma afirmou que vai trabalhar para garantir a estabilidade do país.
As ações da Petrobras desabaram mais de 6% após a divulgação do resultado da companhia no segundo trimestre. A empresa registrou lucro de R$ 531 milhões, queda de 89,3% em relação aos R$ 4,96 bilhões de igual período do ano passado.
O balanço mostrou que a estatal continua sofrendo o impacto do menor preço do barril de petróleo, que desvaloriza seu principal produto, e também da venda menor de combustíveis, em função da piora da economia.
"Embora o balanço não tenha sido uma tragédia, veio com muitos eventos não recorrentes", afirma Felipe Miranda, da Empiricus.
As ações mais negociadas da petrolífera fecharam em baixa de 6,10%%, para R$ 9,69. Os papéis ordinários caíram 7,42%, para R$ 10,61.
As ações da mineradora Vale tiveram forte queda após três dias seguidos de alta, acompanhando a desvalorização do minério de ferro no exterior. Os papéis preferenciais registraram queda de 4,85%, para R$ 14,91. As ações ordinárias caíram 5,92%, para R$ 18,42.
As ações preferenciais da Oi tiveram a maior queda do dia, ao despencarem 9,30%, para R$ 3,90.

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