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Pesquisas indicam vitória do 'não', contra credores, no plebiscito grego

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LEANDRO COLON E FERNANDA GODOY, ENVIADOS ESPECIAIS
ATENAS, GRÉCIA (FOLHAPRESS) - Pesquisas divulgadas neste domingo (5) na Grécia após o fechamento das urnas indicam vantagem do "não" sobre o "sim" no plebiscito realizado para aprovar a proposta de socorro financeiro feita pelos credores internacionais.
Os levantamentos devem ser analisados com cautela porque, embora tenham sido feitos neste domingo, nem todos ouviram os gregos na saída dos locais de votação e, por isso, não seriam classificados como "boca-de-urna". Os primeiros resultados oficiais serão anunciados a partir de 21h (15h, em Brasília). Espera-se que o cenário esteja definido ainda nesta noite.
Pelo menos seis pesquisas divulgadas pelos canais de televisão, com base em institutos locais, apontam vitória do "não".
Segundo o canal Skai TV, por exemplo, o "não", contra o acordo proposto pelos credores, deve vencer pelo placar de 51,5% a 48,5%. O canal Alpha prevê que o "não" atinja de 49,5% a 54,5% dos votos, enquanto o "sim", de 45,5% a 50,5%. O canal Mega divulgou pesquisa em que o "não" aparece vencendo por 51,5% a 48,5%.
ENTENDA E CRISE DA GRÉCIA
A votação terminou às 19h (13h, em Brasília) e ocorreu em clima de tranquilidade na capital Atenas. Ao todo, 9,9 milhões de gregos estavam aptos para votar no país.
A população foi convocada na semana passada pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, para aprovar ou não a proposta de socorro financeiro internacional feita pelos credores FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e a zona do euro.
Após votar, Alexis Tsipras afirmou que a Europa não poderá ignorar a vontade dos gregos. "Muitos podem tentar ignorar o desejo de um governo, mas ninguém pode ignorar a vontade de uma população que está buscando viver com dignidade, com suas próprias mãos ", afirmou o premiê, após votar em Atenas.
Tsipras faz campanha pelo "não", mas tem dito que buscará um acordo a partir desta segunda (6) com Bruxelas independentemente do resultado. O discurso foi repetido no fim de semana pelo ministro de Finanças, Yanis Varoufakis.
O premiê destacou ainda a determinação da população em comparecer à consulta e disse que as coisas avançam quando "a democracia vence o medo e chantagem". "Hoje a democracia triunfa sobre o medo. Estou confiante que nesta segunda vamos estabelecer um novo curso para todas as pessoas da Europa", afirmou.
"Vamos mandar a mensagem de que estamos determinados não só a permanecer na Europa mas também a viver com dignidade nela, para prosperar, trabalhar em igualdade entre iguais", ressaltou.
Ao votar, os gregos receberam uma cédula com a seguinte pergunta a responder: "Deve ser aceito o acordo submetido por CE (Conselho Europeu), BCE e FMI para o Eurogrupo no dia 25 de junho, que consiste em duas partes que formam sua proposta completa?". Eles colocaram o voto 'sim' ou 'não' num envelope e o depositaram na urna.
A complexidade do tema e a falta de tempo para entender as negociações com os credores levaram os gregos a interpretar cada um à sua maneira o plebiscito.
Para alguns, a votação, convocada há uma semana pelo governo, é uma avaliação sobre a gestão e o comportamento do primeiro-ministro, do partido de esquerda Syriza, eleito em janeiro para o cargo.
Para outros, trata-se de decidir sobre a permanência na zona do euro, embora, oficialmente, isso não esteja em discussão no momento.
A única certeza é que, além de uma disputa dividida, ninguém arrisca dizer o que vai ocorrer com a Grécia a partir desta segunda (6), seja qual for o resultado.

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