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Economia

Corte do Orçamento deveria ser de R$ 100 bilhões, dizem especialistas

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RAQUEL LANDIM
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O corte orçamentário da atual equipe econômica é mais crível, mas ainda muito arriscado e insuficiente, dizem especialistas em contas públicas ouvidos pela Folha.
A avaliação é que os gastos precisam ser reduzidos em R$ 100 bilhões para garantir a meta de superávit primário (economia para pagar juros) de 1,1% do PIB.
Nesta sexta-feira (22), o corte no Orçamento anunciado pelo governo ficou em R$ 69,9 bilhões - o maior já proposto por uma administração do PT.
"Dessa forma, vai precisar de mais redução de investimento e controle dos gastos na boca do caixa ao longo do ano", diz Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullett Prebon.
Para o consultor Raul Velloso, o corte proposto pelo governo é "muito arriscado" e não deixa margem para frustrações. "O que vai ocorrer é que a cada dois meses vão controlar os gastos. O corte vai ser bem maior, mas ficará envolto numa névoa", diz.
Para os especialistas, a equipe comandada pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda) trabalhou com projeções mais realistas de crescimento da economia e evolução de gastos do que previsto na proposta de lei orçamentária anual, que era considerada fantasiosa.
Eles afirmam que é um avanço em relação a época do ex-ministro Guido Mantega. Ressaltam, por exemplo, que o governo reduziu as previsões de receitas extraordinárias com dividendos das estatais - uma rubrica que a gestão anterior utilizava constantemente para fechar suas contas.
ARRECADAÇÃO
Mas o ponto frágil das contas realizadas pela nova equipe econômica são as projeções de arrecadação. O governo reviu para baixo suas receitas líquidas em relação ao que estava previsto na lei orçamentária, mas mesmo assim o valor continua muito acima do que foi apurado no ano passado.
Pelas projeções divulgadas na sexta-feira, a receita líquida do governo vai crescer 14,2% em 2015 em relação a 2014 em termos nominais (sem descontar a inflação). O problema é que a arrecadação avançou apenas 2,9% no primeiro trimestre.
Ou seja, para compensar, seria preciso elevar a receita em cerca de 20% no restante do ano, algo considerado impossível em meio à recessão. A projeção do próprio governo é de queda de 1,2% do PIB este ano.
Se a arrecadação for fraca e impossibilitar atingir a meta de superávit primário, é possível que o Brasil perca o grau de investimento das agências de classificação de risco, o que poderia provocar uma fuga de capitais.
Para Zenia Latif, economista-chefe da XP Investimento, as agências devem valorizar o esforço da atual gestão, que encontrou uma situação muito complicada. No último ano do primeiro mandato de Dilma, o Brasil teve déficit nominal de 0,6%.
Ela diz que o maior problema hoje é convencer os deputados e senadores a aprovarem mudanças estruturais na política fiscal. "O Congresso está nos empurrado para um ajuste via aumento de impostos e cortes na boca do caixa, o que não dá para fazer indefinidamente".




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