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Grupo planeja nova conexão para voos internacionais no Nordeste

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RENATA AGOSTINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O grupo Latam, união da aérea chilena LAN com a brasileira TAM, planeja aumentar em 35% os investimentos no Brasil nos próximos três anos com abertura de um novo ponto de conexão de voos internacionais no Nordeste -"hub" no jargão do mercado.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (17). Segundo a presidente-executiva da TAM, Claudia Sender, a nova conexão diminuiria o tempo de deslocamento para os passageiros do Nordeste, que poderiam pegar voos internacionais direto da região -sem fazer escalas em Guarulhos (SP), por exemplo.
A empresa considera três cidades para instalar a nova operação: Fortaleza, Natal e Recife. A decisão será tomada até o final do ano após a conclusão de estudos de viabilidade e negociações com os governos locais.
Será a quarta conexão da Latam. Hoje, além de Guarulhos o grupo também tem conexões internacionais em Santiago (Chile) e Lima (Peru). Em Brasília, o hub da TAM é apenas para voos domésticos.
Segundo a executiva, o novo hub também trará economia de custos à companhia.
AUMENTO DE INVESTIMENTOS NO BRASIL
Com isso, a Latam planeja investir US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 4,6 bilhões) a mais na operação brasileira nos próximos três anos, afirmou Sender.
O montante se somará aos R$ 13 bilhões de investimentos já anunciados no país no período. Segundo Sender, será uma realocação de investimentos do grupo, que manterá o mesmo plano de desembolsos, mas aumentará a fatia que será aportada no Brasil.
A ideia é que o ponto de conexão no Nordeste comece a funcionar em dezembro de 2016 e seja progressivamente expandido, com a inclusão de novos voos, até o final de 2018.
NEGOCIAÇÃO COM GOVERNOS ENVOLVERÁ ICMS
A escolha da cidade que abrigará o novo ponto de conexão de voos dependerá das negociações com operadores dos aeroportos e com os governos locais.
"A conversa com os governos passará pela discussão sobre a cobrança de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] e o compromisso de construção de vias de acesso", afirmou.
Já com os operadores, será preciso avaliar a infraestrutura dos aeroportos e se eles serão capazes de suportar o novo fluxo de passageiros, explicou Sender.
"É preciso infraestrutura adequada, que seja boa para o passageiro. Hub bom é aquele que se consegue conectar o passageiro e a bagagem", disse.
Estudos internacionais apontam que a cada emprego direto gerado a partir da instalação do hub outros 10 são criados indiretamente, afirmou a presidente-executiva da TAM.
"Isso reforça o compromisso com o Brasil. Temos visto poucos anúncios de investimento. Diante do momento que o Brasil está passando, a decisão mostra a força de LAN e TAM, que agregam a demanda de sete países. Há o privilégio geográfico do Nordeste, mas, não fosse a associação, provavelmente não seria viável", afirmou Sender.
RISCO
Sender afirmou que o único risco para a implantação do plano é o desfecho das negociações sobre a nova lei do aeronauta, que será votada no Congresso.
Segundo ela, a proposta dos aeronautas (categoria que reúne comissários de bordo e pilotos) resultaria em despesas adicionais de R$ 1 bilhão para a companhia no Brasil.
"No mercado doméstico, a operação fica mais onerosa para todo mundo. O problema é o cenário mundial, porque os custos ficam muito acima das concorrentes. A TAM é hoje a companhia brasileira que mais opera voos internacionais, por isso, o aumento dos custos é um empecilho para a expansão", afirmou.

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