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Ações da Vale caem mais de 5% e Bolsa interrompe sequência de altas

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SÃO PAULO, SP - Dados indicando a desaceleração da indústria chinesa em janeiro derrubaram as ações da Vale nesta sexta-feira (23), empurrando o principal índice da Bolsa brasileira para baixo. O corte na recomendação de um banco estrangeiro para os papéis da mineradora também influenciaram o pregão. 

Depois de três altas, o Ibovespa perdeu 1,35%, para 48.775 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,656 bilhões. Com este desempenho, o índice teve desvalorização de 0,49% na semana, interrompendo uma sequência de dois avanços semanais. 

As ações preferenciais da Vale, sem direito a voto, mostraram baixa de 5,32%, para R$ 18,32. Já os papéis ordinários da companhia, com direito a voto, recuaram 6,34%, para R$ 20,52. 

O banco americano Goldman Sachs reduziu a recomendação do ADR [recibo de ação de empresa estrangeira negociado em Nova York] da Vale de compra para neutra como consequência de uma piora em suas previsões para os preços do minério de ferro, do níquel e do cobre, que impactam o fluxo de caixa e os múltiplos da mineradora. 

O Goldman também cortou o preço-alvo da ação da CSN de R$ 4 para R$ 3,80, mantendo a recomendação de venda. Os papéis da empresa perderam 6,19% nesta sexta (23), para R$ 5. 

Na China, a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar do HSBC/Markit ficou em 49,8 em janeiro, pouco alterado ante 49,6 em dezembro e abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. Pesquisa da Reuters havia projetado leitura de 49,6. 

O país asiático é o principal destino das exportações da Vale. Apesar do desempenho fraco da indústria chinesa no início de 2015, as importações da China de minério de ferro do Brasil, o segundo maior fornecedor daquele país, subiram 10,3% em 2014, para 170,96 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta sexta. 

"A Vale tem um peso razoável [no Ibovespa] e sua queda influenciou o índice. Além disso, teve um pouco de realização [de lucros] depois da série de altas que tivemos nos últimos três dias. As notícias sobre risco de racionamento acabam prejudicando um pouco a expectativa do resultado das empresas, o que também pesou contra a Bolsa", diz Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest. 

Cardoso avalia, no entanto, que as medidas de ajuste que têm sido tomadas pelo governo podem trazer um pouco mais de confiança aos investidores. "Pode ser que a gente comece a enxergar um fluxo de entrada de recursos no país maior, com Europa e Japão colocando dinheiro no mercado global através de programas de estímulo", afirma. 


RACIONAMENTO 

"Há uma preocupação geral com os setores de energia e água, ainda mais com o ministro (de Minas e Energia, Eduardo Braga) afirmando que se os reservatórios das hidrelétricas caírem abaixo do limite de 10%, o país pode precisar de racionamento. Isso acaba prejudicando a economia como um todo", disse o operador da Renascença DTVM Luiz Roberto Monteiro. 

A concessionária de saneamento do Estado de São Paulo, Sabesp, teve a maior queda do Ibovespa, de 11,65%, para R$ 13,50, diante de sinais de piora do cenário hídrico do país. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) previu nesta sexta que as chuvas que deverão chegar às represas da região Sudeste em janeiro sejam equivalentes a 43% da média histórica. 

A baixa do setor bancário, que começou o dia no azul, também pressionou o Ibovespa. O Itaú Unibanco cedeu 0,96%, para R$ 34,03, enquanto o papel preferencial do Bradesco teve desvalorização de 0,87%, para R$ 35,37. O Banco do Brasil perdeu 0,26%, para R$ 22,79. 

A Petrobras viu sua ação preferencial ceder 2,44%, para R$ 10, enquanto a ordinária mostrou recuo de 2,96%, para R$ 9,52. Os investidores aguardam pela divulgação do resultado não auditado da companhia no terceiro trimestre do ano passado, que pode sair na próxima semana. A divulgação foi adiada pelos desdobramentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal. 


CÂMBIO 

Após três dias de alívio, a cotação da moeda americana voltou a subir em relação ao real nesta sexta-feira (23). O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,49%, para R$ 2,583 na venda. Na semana, houve queda de 1,45%. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 0,54% no dia, mas caiu 1,26% na semana, para R$ 2,589. 

O Banco Central do Brasil deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, por meio do leilão de 2.000 contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda futura de dólares), por US$ 98,4 milhões. 

A autoridade também promoveu um outro leilão para rolar 10 mil contratos de swap que venceriam em 2 de fevereiro, por US$ 490,4 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 75% do lote total com prazo para o segundo dia do mês que vem, equivalente a US$ 10,405 bilhões.

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