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Expectativa de estímulo na Europa faz Bolsa ter maior alta em duas semanas

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SÃO PAULO, SP - Expectativa de um possível anúncio de programa de estímulo na zona do euro impulsionaram as Bolsas globais nesta quarta-feira (21) e reduziram a pressão sobre o dólar. No Brasil, o principal índice da BM&FBovespa registrou seu maior ganho diário em duas semanas. 

Fontes do BCE (Banco Central Europeu) disseram que a autoridade monetária europeia apresentou um plano de injeção de 50 bilhões de euros mensais no continente através da recompra de títulos públicos e outros papéis. O anúncio oficial deve ocorrer nesta quinta-feira (22), quando termina a reunião da instituição. 

"Os estrangeiros já deram como certo o programa de estímulo europeu, que era bastante esperado, por isso houve reação positiva. Os Estados Unidos já fizeram um programa similar e obtiveram sucesso, o que estimulou um forte avanço às Bolsas daquele país. A avaliação é que o mesmo pode ocorrer na Europa", disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora. 

O Ibovespa subiu 2,81%, para 49.224 pontos. Foi a maior valorização diária desde o avanço de 3,05% registrado no dia 7 de janeiro. O volume financeiro movimentado nesta quarta chegou aos R$ 6,387 bilhões -em linha com a média diária do mês, de R$ 6,293 bilhões, de acordo com dados da BM&FBovespa. 

"Esperamos que uma liquidez de pelo menos 500 bilhões de euros seja injetada [no mercado europeu] em 2015", afirmou a equipe do Banco Espírito Santo em nota. "A fim de melhorar a percepção de risco e retorno entre os participantes do mercado, também esperamos que o BCE possa ser flexível para acelerar o ritmo do programa e ir de encontro à meta de elevar seu balanço de pagamentos para perto de 3 trilhões de euros no final de 2016." 

A aposta em uma nova enxurrada de recursos entrando no mercado através do programa do BCE fez o dólar cair para seu menor valor contra o real desde 9 de dezembro de 2014. A moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, cedeu 0,27%, para R$ 2,609 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, teve baixa de 0,30%, para R$ 2,607. 

A fala do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, colaborou para o clima de otimismo tanto no câmbio quanto na Bolsa nesta quarta-feira (21). Em Davos (Suíça), onde participou do Fórum Econômico Mundial, Levy afirmou a investidores estrangeiros que a economia brasileira terá desempenho estável em 2015 e reforçou que haverá ajuste fiscal no Brasil. 

"Não há novidade. O mais importante em relação ao Levy é sua autonomia. O mercado espera que ele tenha autonomia para tomar e manter as medidas necessárias ao resgate do crescimento econômico. Assim, será possível ter perspectiva para o futuro", disse Figueredo. 


NO AZUL 

As ações preferenciais da Petrobras, sem direito a voto, avançaram 5,36%, para R$ 9,82 cada uma. Os papéis ordinários da estatal, com direito a voto, ganharam 6,41%, para R$ 9,46. 

A companhia divulgou nota nesta quarta-feira (21) dizendo que está "realizando as análises necessárias para o fechamento e divulgação das demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014" em função dos desdobramentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal. 

Segundo a nota, o balanço vai considerar a "avaliação individual de ativos e projetos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na Lava Jato, inclusive a RNEST, o que poderá resultar no reconhecimento de perdas e consequente revisão de seu ativo imobilizado atual. 

Os bancos também subiram, na esteira de expectativas de nova elevação no juro básico nacional, a taxa Selic, na noite desta quarta (21). O consenso do mercado é de que a taxa passará dos atuais 11,75% para 12,25% ao ano. O setor bancário é o que possui o maior peso dentro do Ibovespa. 

O Itaú Unibanco ganhou 2,95%, para R$ 34,19, enquanto o Banco do Brasil valorizou-se 2,53%, para R$ 22,66. Já os papéis preferenciais do Bradesco mostraram alta de 2,44%, para R$ 35,29. 

Das 68 ações que compõem o Ibovespa, apenas seis não tiveram desempenho positivo no dia. Os papéis da produtora de celulose Klabin tiveram a maior queda, de 1,69%, para R$ 13,41. A exportadora é prejudicada pela baixa do dólar. 

Na outra ponta do índice, a Oi liderou os ganhos, com valorização de 10,35%, para R$ 5,65. Segundo analistas, o mercado aposta na aprovação da venda dos ativos portugueses da Oi à francesa Altice, em reunião de acionistas da Portugal Telecom SGPS marcada para esta quinta-feira (22). 


ATUAÇÕES DO BC 

Também colaboraram para a queda do dólar nesta quarta as atuações do Banco Central do Brasil no mercado. O BC deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, por meio do leilão de 2.000 contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda futura de dólares), por US$ 98,3 milhões. 

A autoridade também promoveu um outro leilão para rolar 10 mil contratos de swap que venceriam em 2 de fevereiro, por US$ 490,2 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 61% do lote total com prazo para o segundo dia do mês que vem, equivalente a US$ 10,405 bilhões.




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