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Economia

Desaceleração chinesa é 'ajuste saudável', diz FMI

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MARCELO NINIO
PEQUIM, CHINA - A desaceleração da China, que em 2014 registrou o menor ritmo de crescimento econômico desde 1990, faz parte de um "ajuste saudável" para reduzir as vulnerabilidades criadas nos últimos anos.
A avaliação é do Fundo Monetário Internacional, que como a maioria dos economistas recebeu sem surpresa o anúncio desta terça (20), de que o PIB chinês cresceu 7,4% no ano passado, abaixo da meta do governo, de 7,5%.
O representante residente sênior do FMI na China, Alfred Shipke disse que o ritmo menor de expansão da economia chinesa tem "um bom motivo". Segundo ele, o aperto no crédito efetuado pelas autoridades afetou o setor imobiliário, mas era necessário.
Schipke explicou que o FMI reduziu sua projeção de crescimento do PIB chinês em 2015 de 7,1% para 6,8% em parte porque percebeu que o "ajuste saudável" no setor imobiliário está indo adiante. Ele ressaltou, porém, que as políticas econômicas terão que ser "cuidadosamente calibradas" para que o governo mantenha o curso de sua reforma econômica.
O objetivo de Pequim é centrar o crescimento mais em consumo doméstico do que em investimentos, após anos de expansão desenfreada do crédito.
TAREFAS
O governo tem três tarefas ao mesmo tempo, explicou Schipke. Reduzir a volatilidade na economia, criar condições para a reforma e ao mesmo tempo evitar uma desaceleração acentuada.
"Não é fácil fazer esse equilíbrio, mas o governo parece estar no caminho", disse Schipke, após o lançamento do Panorama Econômico Mundial, que o FMI lançou pela primeira vez em Pequim. O relatório também reduz a projeção de crescimento da China para 2016, de 6,8% para 6,3%.
Embora em 2014 a expansão do PIB chinês tenha ficado abaixo da meta oficial pela primeira vez desde 1998, para Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, a desaceleração é fruto de uma "decisão bem-vinda" do governo de equilibrar a economia, movendo o foco do setor imobiliário para o consumo.
O próprio FMI, em outubro do ano passado, estimou que em 2014 a economia chinesa ultrapassou a dos EUA e se tornou a maior do mundo pelo critério de paridade do poder de compra (PPP), que considera preços e custos relativos de cada país.
Ao anunciar o PIB nesta terça, o diretor do Escritório Nacional de Estatísticas da China, Ma Jiantang, rejeitou o título de economia número um do mundo. Para ele, a conclusão é errada, pois subestima os preços chineses e superestima o montante da economia.
"A China continua sendo um país em desenvolvimento, apesar de sua crescente economia", disse Ma.
PARCEIROS COMERCIAIS
Blanchard lembrou que a desaceleração terá um "impacto adverso" para os parceiros comercias da China. Entre os afetados está o Brasil, que tem na China o principal destino de suas exportações, 18% do total em 2014.
No ano passado, as vendas do Brasil para a China somaram US$ 40,6 bilhões, uma queda de 12% em relação a 2013. A causa principal foi o declínio nos preços das principais commodities exportadas pelo país.
Apesar do aumento no volume exportado de soja e minério de ferro (que juntos representaram 71,2% das vendas à China), ambos fecharam o ano com quedas no valor, de 3,1% e 22,8%.
O fim do boom das commodities foi um dos motivos de o FMI ter reduzido de forma drástica sua projeção de crescimento para o Brasil este ano, de 1,4% para 0,3%.
Mas não foi o único. Gian Maria Milesi-Ferretti, vice-diretor de Pesquisa do FMI, enumerou outros fatores para a redução da estimativa, entre eles a baixa confiança, causada pela investigação na Petrobras, a queda dos investimentos e o aperto monetário, que freou o consumo doméstico.




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