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Economia

Ministro confirma uso de bancos públicos para socorrer elétricas

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JULIA BORBA E SOFIA FERNANDES
BRASÍLIA, DF - O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, e o diretor da Aneel (Agência Nacional de energia Elétrica), Reive Barros, confirmaram nesta quarta-feira (7) que três bancos estatais -Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES- serão usados para saldar o rombo bilionário do setor elétrico.
A nova proposta ainda está sendo discutida pelos ministros de Minas e Energia, Eduardo Braga, e da Fazenda, Joaquim Levy.
"O empréstimo seguirá o mesmo modelo dos anteriores", afirmou o diretor da agência reguladora Reive Barros, sem dar mais detalhes.
Desde o início de dezembro, as áreas técnicas do governo vêm se debruçando sobre o assunto em busca de encontrar um remédio para o problema das distribuidoras de energia que gere os menores efeitos colaterais.
A falta de capacidade dessas elétricas em pagar suas contas mensais se tornou um problema para o governo desde janeiro de 2014.
Por causa da seca, dos altos preços e da necessidade mensal de contratações de energia extra para atender à demanda dos consumidores, essas empresas tiveram de pedir socorro financeiro ao governo diversas vezes.
Houve um aporte do Tesouro Nacional, dois empréstimos bancários (envolvendo instituições públicas e privadas) e, mesmo assim, cerca de R$ 20 bilhões depois o problema não foi completamente resolvido.
Já no início de dezembro descobriu-se que não haveria dinheiro disponível para quitar as duas últimas contas em aberto: de novembro e dezembro. O prazo para pagamento de cada uma ocorre no início de janeiro e fevereiro, respectivamente.
BANCOS PÚBLICOS
Segundo números usados pelo mercado, a primeira fatura deve chegar a R$ 1,6 bilhão, enquanto a segunda será de aproximadamente R$ 900 milhões. Ou seja, um rombo de R$ 2,5 bilhões.
Sem condições de quitar o valor sozinhas, usando dinheiro do próprio caixa, essas empresas ainda esperam uma solução vinda do governo para não ficar inadimplentes.
Inicialmente, imaginou-se que o Tesouro poderia ajudar. Mas em um momento de ajustes internos e dificuldade de caixa, essa opção começou a ser desconsiderada.
Tornou-se a pensar, então, em um novo empréstimo bancário. Mas havia uma preocupação com o nível de interesse dessas instituições em entrar no negócio mais uma vez. Além disso, o alto preço que os bancos poderiam cobrar para aceitar o acordo foi visto como um entrave.
Por esse motivo, técnicos desenharam uma nova solução em que apenas os bancos públicos emprestem o dinheiro que falta para as distribuidoras.
O financiamento é permitido uma vez que já há instrumentos legais, criados ano passado pelo governo. Eles garantem a tomada empréstimos até a liquidação final das dívidas de 2014.
Com a aprovação do Ministério da Fazenda, ainda é necessário que a Aneel postergue a data de pagamento do mês de janeiro, marcada para terça-feira (13) da semana que vem.
Reive Barros, diretor da agência, afirmou que isso deverá ser feito em uma próxima reunião da diretoria, ainda não agendada.
A agência tem poderes para adiar esse pagamento e já teve de adotar essa medida no passado. É por meio do adiamento do prazo que se ganhará tempo para que os acordos sejam firmados.

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