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Funcionários da Mercedes fazem paralisação contra demissões

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SÃO PAULO, SP - Funcionários da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, paralisaram as atividades nesta quarta-feira (7) por 24 horas -até amanhã cedo- em protesto contra a demissão de 244 metalúrgicos que estavam em layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho). 

Os cerca de 10,5 mil trabalhadores da Mercedes se unem aos 13 mil funcionários da Volkswagen que também estão em greve em São Bernardo contra a demissão de 800 colegas de trabalho. 

A queda de 7,4% na venda de veículos no ano passado é um dos fatores que levaram à demissão dos trabalhadores, conforme explica o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. 

No caso da Mercedes, o sindicalista diz que cada dia ocorrerá uma ação diferente com o intuito de pressionar a empresa para recontratar os demitidos. 

"Vamos continuar mobilizados, hoje optamos pela paralisação de 24 horas, amanhã faremos outra assembleia para definir as novas ações do movimento", acrescentou Marques. 

Já na Volks, diz o sindicalista, o movimento segue forte e os funcionários não retornaram ao trabalho até que a montadora torne sem efeito as cartas de demissões e retorne as negociações. 

Nesta quarta-feira (7), houve tumulto em uma das entradas da montadora. 

De acordo com nota oficial da empresa, trata-se de fato isolado ocorrido na Ala 17, onde representantes do sindicato tentavam acessar a força as áreas de desenvolvimento de produto, local de acesso restrito em razão da confidencialidade, para a retirada de empregados que não aderiram ao movimento grevista". 

"Em 2014 ficamos quatro meses negociando com a empresa, mas os trabalhadores ficaram divididos em assembleia e optamos por rejeitar a proposta. Agora precisamos retornar a negociação e encontrar um equilíbrio entre as propostas [trabalhadores e montadora]. 


NEGOCIAÇÃO 

No início de dezembro, os trabalhadores da unidade Anchieta rejeitaram a proposta elaborada pela montadora em parceria com o sindicato. O plano incluía o pagamento de um abono salarial em troca do congelamento dos salários em 2015 e 2016 e um plano de demissão voluntária para reduzir 2.100 vagas. 

Sobre as negociações, a empresa afirma que "buscou ainda uma alternativa junto ao Sindicato, realizando um longo processo de negociação para a composição de uma proposta que permitisse a adequação necessária da estrutura de custos e efetivo da unidade". 

Apesar de lamentar a rejeição da proposta, diz que segue "urgente" a necessidade de adequar a mão de obra e "otimizar" os custos para melhorar a competitividade da unidade, motivo pelo qual teriam ocorrido as demissões. 


OUTRO LADO 

Em nota, a Mercedes informou que "durante todo o ano de 2014, a Mercedes-Benz do Brasil utilizou todas as ferramentas legais e negociadas de flexibilização para preservar a sua força de trabalho". 

Foram adotadas licença remunerada, férias coletivas e individuais, banco de horas individual e coletivo, semanas com quatro dias de trabalho, redução para um turno em algumas áreas, programas de demissão voluntária e lay-off. A empresa decidiu também interromper sua produção durante todo o mês de dezembro. 

"Para manter a competitividade diante dos altos custos fixos de produção, a companhia adotou também as medidas abaixo a partir de dezembro: prorrogação do lay-off para cerca de 750 colaboradores de São Bernardo até o dia 30 de abril de 2015. Dessa vez, com os custos totalmente assumidos pela empresa; abertura de PDV [Plano de Demissão Voluntária], que teve a adesão de cerca de 100 colaboradores; encerramento do contrato de trabalho para cerca de 160 funcionários; adicionalmente, para a planta de Juiz de Fora, Minas Gerais, foi adotada a extensão do lay-off para aproximadamente 170 pessoas até 30 de abril com os custos também assumidos pela companhia". 

E ressalta que, apesar de um cenário de queda de produção em suas plantas, "a Mercedes-Benz mantém os investimentos de R$ 730 milhões anunciados recentemente para as fábricas de São Bernardo e Juiz de Fora entre 2015-2018, com o objetivo de assegurar a competitividade da empresa no setor de veículos comerciais". 

Também por nota, a Volks confirma as demissões. "Visando estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade, a Volkswagen do Brasil anuncia que haverá o desligamento de 800 empregados em sua fábrica no ABC Paulista, após período de licença remunerada de 30 dias". 

E se refere às demissões como uma "primeira etapa de adequação de efetivo", dando a entender que mais desligamentos virão. A empresa, no entanto, não comenta essa possibilidade. 


PROPOSTA 

Uma alternativa sugerida pelo sindicato para evitar demissões é a implantação de um sistema semelhante ao que já existe na Alemanha. 

O programa de proteção ao emprego prevê, entre outras coisas, a redução da jornada de trabalho sem a diminuição do salário para que as empresas atravessassem o período de crise. 

Caberia ao governo, por meio de um fundo -FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) ou FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), arcar com 60% dos salários e os outros 40% seriam bancados pela montadora, após negociação com o sindicato. 

De acordo com Marques, na Alemanha o sistema foi usado durante a crise europeia e contribuiu para amenizar a situação do desemprego no país. 

"Precisamos saber, no entanto, se com esse programa em vigor as empresas manteriam os empregos", diz Marques. "O governo já tem MP [medida provisória] sobre o assunto quase pronta. Se as empresas concordarem, buscaremos o governo para que o programa seja implementado", complementa o sindicalista.




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