Economia

BC: comércio contribui para déficit em conta menor

Da Redação ·
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel, disse hoje que o déficit em transações correntes registrado em abril, de US$ 3,488 bilhões, ficou abaixo do observado nos três primeiros meses do ano. Segundo ele, o valor também foi inferior ao da projeção do BC, de um saldo negativo de US$ 5,2 bilhões, por conta de dois fatores: o desempenho da balança comercial e a queda da remessa de lucros e dividendos. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 5,032 bilhões em abril, enquanto as remessas de lucros e dividendos das empresas para o exterior somaram US$ 2,117 bilhões. Para maio, Maciel projeta um déficit em conta corrente de US$ 3,75 bilhões. Ele informou ainda que a remessa de lucros e dividendos voltou a crescer em maio e soma US$ 3,227 bilhões até hoje. Maciel afirmou que o fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o País tem aumentado de forma significativa. Segundo ele, o IED registrado no mês de abril, de US$ 5,512 bilhões, é o melhor para os meses de abril em toda a série histórica, iniciada em 1947. O IED acumulado no primeiro quadrimestre do ano, de US$ 22,985 bilhões, também é o maior para o período. Em maio, até hoje, o fluxo de IED soma US$ 2,7 bilhões, o que mostra um arrefecimento em relação ao número de abril. Para o mês, o BC projeta um ingresso líquido de IED de US$ 2,9 bilhões. Maciel atribuiu o resultado favorável do IED aos bons fundamentos da economia nacional. Ele disse ainda que o BC não detectou movimento de migração de recursos que entram como IED para outros segmentos. Segundo ele, o resultado do IED, até agora, está em linha com a projeção de US$ 55 bilhões para o ano. O chefe do Departamento Econômico do BC também comentou o resultado da conta de serviços do balanço de pagamentos e destacou que, no período de janeiro a abril, houve um déficit de US$ 10,857 bilhões, com expansão de 30,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Ele disse que essa conta vem sendo pressionada, sobretudo, pelo aumento das viagens internacionais. Em abril, as despesas líquidas com as viagens bateram o recorde da série, totalizando US$ 1,404 bilhão, com crescimento de 83% em relação a abril do ano passado. No quadrimestre, os gastos com viagens também são o recorde da série, somando US$ 4,330 bilhões, com expansão de 76%. A conta corrente do balanço de pagamentos reúne dados sobre a balança comercial (exportações menos importações), da balança de serviços (viagens internacionais, lucros e dividendos e royalties, entre outros itens) e das transferências unilaterais (envio de dinheiro de brasileiros no exterior para o País).
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