Economia

Mantega diz não ver necessidade de mais medidas para conter consumo

Da Redação ·
Mantega diz não ver necessidade de mais medidas para conter consumo
fonte: Arquivo
Mantega diz não ver necessidade de mais medidas para conter consumo


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira (20) acreditar não ser mais necessário aplicar outras medidas para conter o crescimento do consumo e do crédito no país. De acordo com o ministro, a inflação será mais controlada daqui para a frente, e o varejo, inclusive, já está sentindo o efeito das medidas.

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"Nós conversamos com o varejo, que acusa que em janeiro, fevereiro e março foi bem [as vendas]. Em abril e maio, começou a desacelerar. As medidas surtiram efeito, e acredito que não seja necessário outras medidas. Mas nós vamos observar, de modo que acho que a economia já caminha para um patamar mais moderado de crescimento e mais moderado de crédito", afirmou o ministro.
Mantega participou nesta sexta de uma reunião com o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), representado por grandes varejistas do país, como a Telhanorte e o Pão de Açucar. De acordo com Mantega, nesta reunião, os empresários afirmaram sobre a desaceleração nas vendas.
De acordo com Fernando de Castro, presidente do IDV, a desaceleração nas vendas começou entre abril e maio deste ano. “As vendas no Dia das Mães não foram tão altas quanto previsto”. Segundo o executivo, o ritmo de crescimento nesse período até agora ficou entre 1 e 1,5% abaixo do registrado há um ano.
Com o recuo da demanda, o ministro acredita que a inflação irá perder força: "a pressão inflacionária está sendo desativada e, portanto, daqui para a frente, tende a diminuir. [...] Estamos tomando medidas desde o final do ano passado para moderar o crescimento do consumo e do crédito. As medidas estão fazendo efeito”, afirmou Mantega.
“Em relação a 5%, a inflação anualizada prevista para 2011 subiu um pouco. Agora está na faixa de até 6%, mas daqui para a frente ela vai para baixo, portanto eu diria que a inflação está controlada”, afirmou.
“O Banco Central está trabalhando com 5,6%, mas os relatórios mais atuais já trabalham um pouco mais do que isso (...). A projeção Focus é 6,31% para o ano, que é o que interessa. Então, vamos acompanhar e atualizando as nossas previsões. O mais importante é que o pior já passou."
De acordo com o ministro, os principais vilões da inflação, como commodities, etanol e gasolina, estão caindo. "Daqui para a frente teremos redução gratativa da inflação. Então, podemos afirmar que não fugiremos dos limites da meta de inflação", disse.
Câmbio
O ministro também comentou a respeito da valorização do real que, segundo ele, depende do fluxo de capitais e de políticas monetárias dos países avançados. "Essa política expansionista acaba trazendo muitos recursos aos países emergentes, de modo que isso tende a valorizar a nossa moeda", disse.
Mantega afirmou que o governo está olhando para essa questão mas, "enquanto não houver mudança da política monetária dos Estados Unidos e da União Europeia, que ainda estão emitindo muito dinheiro e expandindo muito o crédito, nós vamos ter alguma pressão, que o governo vai tentar controlar".
O ministro disse, ainda, que existe "até certa estabilidade no câmbio".