Economia

Fiesp: vendas da indústria de SP devem cair em março

Da Redação ·
O resultado das vendas reais da indústria paulista em fevereiro surpreendeu a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e influenciou o nível de atividade registrado no mês passado. No entanto, a entidade não espera que as vendas reais em março tenham o mesmo desempenho. "Não acredito que teremos em março um nível de vendas reais tão expressivo quanto em fevereiro", afirmou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. De acordo com o diretor da Fiesp, as vendas reais tiveram um desempenho acima do esperado porque o carnaval deste ano ocorreu em março, o que aumentou o número de dias úteis em fevereiro. "O nosso modelo de dessazonalização teoricamente compensa esse fato, mas a variável de vendas reais é muito afetada por esse tipo de questão", afirmou. As vendas reais registraram crescimento de 5,3% em fevereiro na comparação com janeiro com ajuste sazonal. O resultado levou o Indicador de Nível de Atividade (INA) a um crescimento de 2% na comparação com janeiro com ajuste sazonal e a uma alta de 4,2% sem ajuste, a maior para meses de fevereiro de toda a série da Fiesp, iniciada em 2002. Para Francini, o dado não é uma indicação de que a atividade econômica continue mais aquecida do que o Banco Central gostaria. "O Banco Central tem dado mostras de que não tomará medidas temerárias, olhando apenas um dado de um mês. O crescimento das vendas reais em fevereiro tem mais a ver com o fato de o carnaval ter caído em março. Trata-se de uma excepcionalidade. A indústria vendeu mais porque teve mais tempo para vender", disse. Queda de estoques Francini ressaltou que o resultado das vendas reais foi tão forte que influenciou o nível de estoques da indústria paulista. Na pesquisa Sensor, que mede a confiança dos empresários do Estado, o indicador "estoque" registrou 56,4 pontos, o maior resultado da série iniciada em junho de 2006. Na pesquisa, o patamar de 50 pontos indica estabilidade de estoques; abaixo de 50, estoques excessivos e acima de 50, estoques insuficientes. "É a primeira vez desde maio de 2010 que os estoques superam o nível de 50 pontos", disse Francini. De acordo com ele, porém, a redução dos estoques foi pontual e não significa insuficiência de capacidade produtiva da indústria de São Paulo. O diretor da Fiesp destacou que a Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não deve registrar um resultado tão forte em fevereiro como a da Fiesp. De acordo com ele, o INA inclui variáveis físicas, como produção e nível de utilização da capacidade instalada e financeiras, como as vendas reais e nominais da indústria. "A pesquisa (do IBGE) não inclui o dado de vendas. Por isso é provável que venha com menos rigor que o INA e encerre o mês de fevereiro com alta de cerca de 1% em relação a janeiro", comentou Francini. Francini manteve a projeção da Fiesp para o crescimento da atividade industrial nacional em 2011 de 3,5%.
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