Economia

Gabrielli descarta alta da gasolina com petróleo volátil

Da Redação ·
O consumidor continuará a pagar caro pelo combustível no Brasil, mas os preços devem ficar estáveis, ao menos nos próximos meses. O risco de aumento existe apenas em relação ao etanol, que é adicionado à gasolina e teve alta acentuada devido à escassez causada por "problemas de safra". Foi que afirmou hoje o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para quem a empresa não prevê nenhuma alteração nos valores do diesel e da gasolina enquanto não houver "certeza" de estabilização no custo do petróleo no mercado internacional. O aumento no preço dos combustíveis foi um dos responsáveis pelo crescimento da inflação de 1,04%, em fevereiro, para 1,11% em março do grupo Transportes no Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Segundo o instituto, neste período a alta da gasolina passou de 0,51% para 0,76%, enquanto a do etanol saltou de 2,83% para 4,68%. De acordo com Gabrielli, no caso da gasolina, a elevação é causada principalmente pela incerteza quanto ao preço do barril de petróleo, que é negociado atualmente num patamar de US$ 115. "A última vez que a Petrobras reajustou o preço da gasolina foi em maio de 2009, para baixo. O que aconteceu agora é que os preços internacionais cresceram. O petróleo, que estava na faixa de US$ 80, está hoje na faixa de US$ 115. E ninguém tem muita certeza se esse patamar vai se estabelecer ou não. Enquanto não tivermos certeza dessa estabilização, não alteraremos o preço da gasolina", declarou, após encontro com empresários em Belo Horizonte. Gabrielli atribuiu a alta registrada nas bombas ao percurso que o produto faz desde as refinarias até as bombas dos postos de combustíveis, além da própria elevação do etanol. "Gasolina sai da refinaria da Petrobras, em média, a R$ 0,98, R$ 1 por litro. O custo é menos do que água engarrafada. Só que ela chega ao consumidor a R$ 2,70, R$ 2,80. Tem o distribuidor, a logística, o imposto, o posto e a concorrência do álcool", ressaltou. Esse último fator, segundo Gabrielli, foge ao controle da empresa, que apenas recentemente passou a produzir etanol por meio de aquisições de partes de empresas privadas que já atuavam no setor. "Há problemas de safra, naturais, e problemas de preço de açúcar, que alteram esse tipo de extração. Os estoques existentes são das distribuidoras e dentro das empresas produtoras", declarou, lembrando que mais de 51% dos veículos leves no País são movidos a esse tipo de combustível. Investimentos Gabrielli se encontrou hoje, ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e do governador mineiro, Antônio Anastasia (PSDB), com representantes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e do empresariado do Estado. O objetivo, segundo ele, foi incentivar a qualificação para possíveis fornecedores da empresa, que planeja fazer investimentos de US$ 224 bilhões no País até 2014. "O que tentei mostrar para os empresários de Minas é que o volume de investimento no Brasil é muito grande. A maior parte desse investimento é em refinarias novas.Vamos comprar mais de US$ 150 bilhões nesse período, no Brasil, de empresários brasileiros. Minas tem longa tradição em mineração, siderurgia, eletroeletrônica, mecânica, construção pesada. Pode perfeitamente se focar também para entrar nesses segmentos de petróleo e gás, para atender a Petrobras no Brasil inteiro", avaliou. Segundo Gabrielli, desse total, US$ 3,5 bilhões serão investidos na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, em unidades de tratamento para retirada de enxofre da gasolina e do diesel. Sem esses investimentos, segundo Gabrielli, "não poderemos continuar produzindo". "As exigências ambientais nos impões mudanças na forma de produzir", disse. Mas o presidente da Petrobras também jogou um balde de água fria nos planos do governo mineiro, que reivindicava a criação de um polo acrílico no Estado. O planejamento desse tipo de investimento ficará a cargo da Braskem, empresa privada com participação da estatal, que já tem uma planta em Camaçari (BA) e, segundo Gabrielli, a companhia "vai analisar a sinergia com isso".
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