Economia

Apoio para feijão chega tarde no Vale do Ivaí

Da Redação ·
 Produtores de feijão reivindicavam preço mínimo de R$ 80 por saca
fonte: Arquivo TN
Produtores de feijão reivindicavam preço mínimo de R$ 80 por saca

O governo autorizou ontem a realização de leilões para apoio à comercialização de feijão e arroz. A medida foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Portaria Interministerial nº 67 (Ministérios da Agricultura, Fazenda e Planejamento). As operações vão beneficiar o Paraná, que é o maior estado produtor e um dos mais penalizados com a queda nas cotações, que estão abaixo do mínimo estipulado pelo governo, R$ 80 por saca. Nos últimos quatro meses, os preços pagos aos produtores caíram 54%.

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Apesar de ser uma reivindicação dos produtores, a medida tem sido avaliada como atrasada pela maioria deles na região do Vale do Ivaí. Isso porque muitos já negociaram a safra abaixo do preço mínimo por falta de armazéns ou pela necessidade de pagamento dos custos de produção. Outros perderam a produção no campo pela quebra na qualidade. No final de janeiro, produtores de Manoel Ribas distribuíram para a população sacas de feijão para protestar pelos baixos preços.


Para o produtor Arlindo Pavezi, apenas os agricultores considerados médios conseguiram segurar parte da safra até agora. Conforme ele, a maioria dos pequenos produtores negociou a safra com cerealistas por cerca de R$ 40 a saca, para pagar os gastos com a produção. ”A demora em fazer a intervenção deve beneficiar poucos produtores da região”, assinala. Segundo ele, a cada 2 ou 3 anos os produtores de feijão enfrentam problemas em relação aos preços.

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Pavezi, que plantou 45 alqueires de feijão, colheu 400 sacas e já negociou 70% do total. Ele conta que recebeu entre R$ 40 e R$ 50 por saca. Nesta semana ele pretendia negociar o restante. Para ele, mesmo que o governo pague o mínimo de R$ 80, o valor final será bem menor, em torno de R$ 65, já que terá custos com o frete e quebra de qualidade do grão.Apesar do desestímulo, ele diz que espera recuperar parte das perdas com a safra de feijão com a colheita de soja.


O cerealista Ênio Mendes Santos confirma que os armazéns da Conab estão lotados e somente com a realização de leilões poderão voltar a receber novos produtos. Até agora, segundo ele, os espaços liberados eram insuficientes para receber um grande volume de grãos.


Segundo a portaria, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) irá executar leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor. O governo poderá destinar até R$ 200 milhões para as operações de arroz e R$ 50 milhões para o feijão. Os recursos vão favorecer o escoamento dos grãos e permitir que os produtores recebam o preço mínimo, atualmente, fixado em R$ 25,80 por saca de 50 kg de arroz e R$ 80 por saca de 60 kg de feijão.

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Para iniciar os leilões, a Conab irá lançar avisos com os critérios para os participantes, com a quantidade de grãos a ser negociada, locais e valor do prêmio a ser arrematado. No total, serão negociadas até 300 mil toneladas de feijão e mais de um milhão de toneladas de arroz.


Além das operações de PEP e Pepro, o governo está fazendo aquisição direta de arroz e feijão desde o início do mês. Devem ser adquiridas até 460 mil toneladas dos grãos dos estados da região Sul e Goiás.