Economia

Chuvas atrasam ciclo da soja e do milho

Da Redação ·
 Lavoura de soja na divisa entre Mauá da Serra e Marilândia do Sul
fonte: André Henrique Veronez
Lavoura de soja na divisa entre Mauá da Serra e Marilândia do Sul

Agricultores do Vale do Ivaí estão na expectativa de que as chuvas dêemuma trégua nos próximos dias para que as lavouras de milho e soja possam se recompor e entrarem na fase final de maturação e colheita. As chuvas que vêm caindo com frequência desde início de janeiro têm atrasado o ciclo vegetativo de ambas as culturas e, consequentemente, retardado o período de colheita.

Na região de Mauá da Serra, a preocupação maior é com o milho. Segundo o engenheiro agrônomo Toshio Watanabe, do entreposto local da Cooperativa Agropecuária de Produção Integrada, o plantio de milho já começou tarde, ou seja, em outubro, quando deveria ser em setembro.


Isto foi causado pela estiagem registrada naquela época. Posteriormente, a lavoura foi prejudicada pelo frio e pelas chuvas constantes. Em função dessas condições climáticas desfavoráveis, o milho teve o seu ciclo vegetativo retardado. Com isso, se o tempo melhorar, a colheita deverá ser feita somente em março, quando em condições normais teria seu início a partir do dia 10 de fevereiro. No caso do milho precoce, este deverá ser colhido no começo de março. A preocupação agora é com o excesso de umidade na fase de colheita, que poderá resultar em grãosardidos e brotação.


Quando à soja, os agricultores da região de Mauá da Serra anteciparam o seu plantio para colher em março. Da mesma forma, anteciparam asaplicações de fungicidas e defensivos para evitar o ataque de ferrugem, que no ano passado foi o maior problema para os produtores. De acordocom Toshio Watanabe, por enquanto a situação está sob controle, porémos agricultores esperam que o sol volte a brilhar para garantir anormalidade do processo de maturação e colheita.


A região de Mauá da Serra mantém todo ano, na safra de verão, em torno de 15 mil hectares de lavouras plantadas. Deste total, 20% é destinado à cultura do milho, 70% para a soja e 10% para o feijão.


De acordo com o agricultor Sérgio Higashibara, é bom lembrar que nesta região os produtores plantam milho todo ano, independente de as cotações de preço estarem altas ou baixas. O plantio, conforme ele, é feito obedecendo à regra de rotação de culturas que faz parte do plantio direto. Neste ano, segundo ele, os agricultores estão tendo um pouco de sorte porque as cotações estão hoje, na média de R$ 23 a saca para o produtor. No ano passado, no entanto, a categoria vendeu a saca de milho por apenas R$ 12 durante o ano todo.
 

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Problema é geral nos municípios do Paraná
 

De acordo com o economista Paulo Sérgio Franzini, responsável pelo Departamento de Economia Rural (Deral), do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), de  Apucarana, o atraso no ciclo das culturas de milho e soja é comum em toda a região por causa das chuvas. No entanto, ele assegura que as lavouras ainda não foram prejudicadas em termos de produtividade.


O único empecilho é que os agricultores, que comumente fazem três  aplicações de fungicida na soja, por exemplo, neste ano tiveram que fazer quatro e até cinco em alguns casos. No Norte do Estado, o potencial de produtividade da soja é bom, porém na região Oeste, onde a cultura já finalizou o processo de maturação, agricultores começam a coçar a cabeça com possíveis prejuízos.


Nos treze municípios da regional da Seab de Apucarana, o milho ocupa uma área plantada de 13,5 mil hectares, para uma produção estimada de 110 mil toneladas. Já a soja ocupa uma área de 105,4 mil hectares, estimando-se uma colheita de 327 mil toneladas.
 

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Produtividade promete ser boa

As lavouras de soja na região de Londrina apresentam desenvolvimento satisfatório, com boa expectativa de produtividade. Os irmãos Geraldoe Juracy Gigliotti, que cultivam 117 alqueires em Sabaúdia, estimam produzir 130 sacas por alqueire, em média, um pouco mais que as 125 sacas da safra anterior. “Fizemos uma boa adubação e o controle depragas e doenças com base na orientação técnica da Cocamar”, relataJuracy. Segundo ele, a única preocupação neste ano é com o percevejo marrom, cuja presença é favorecida pela chuva constante, que dificultao controle. Por isso, 10% das lavouras não puderam ser pulverizadas.


Metade da soja dos Gigliotti está em fase de maturação e a colheita deve começar até o final do mês. Também em Sabáudia, o agricultor Cláudio Vicente D’Agostini, donode 170 alqueires, espera colher 140 sacas por alqueire, uma estimativa que ele próprio acredita ser maior. D’Agostini cultiva 70 alqueires sob a tecnologia de agricultura de precisão. “Têm lugares que a soja cresceu tanto que bate acima do peito”, sorri ele, lembrando que no ano passado colheu a média de 133 sacas por alqueire.