Economia

Inflação dos alimentos sobe quase 9% no ano

Da Redação ·

Com mais dinheiro no bolso, o brasileiro passou a consumir muito mais carne bovina, frango, feijão, leite e outros produtos alimentícios neste ano.

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Com isso, a inflação do grupo de alimentos, entre janeiro e novembro deste ano, está 8,95%, valor bem superior ao registrado no mesmo período do ano passado – quando estava em 2,69%. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Somente no mês de novembro, a inflação da comida ficou em 2,22%, sendo o maior valor já registrado desde dezembro de 2002 – quando a inflação estava em 3,91%.

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De acordo com Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, este ano a influência dos alimentos neste ano está muito forte (somente este grupo pesa 22% na composição do IPCA, que é a inflação oficial usada pelo governo).

- A inflação dos alimentos de 2007 a 2010 subiu 38,38%, enquanto no mesmo período, a oficial ficou em 21,45%. Em 2007 e 2008, houve demanda muito aquecida, com os países asiáticos consumindo bastante, já que houve seca na Austrália e em algumas regiões brasileiras. Este ano, pesa a influência da Rússia, que está colaborando para que o trigo e outros cereais fiquem bem mais caros.

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No mês passado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) atingiu o maior patamar em novembro desde 2005, de 0,83%. Há cinco anos, o indicador estava em 0,87%.

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Com isso, a inflação acumulada no ano - medida entre janeiro a novembro - já está em 5,63%. Embora esteja afastado do centro da meta, de 4,5%, o valor ainda está na margem de oscilação, de dois pontos para cima ou para baixo.

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A inflação só não ficou maior, segundo Eulina, porque o grupo Transportes (que pesa 20% na contribuição do índice) tem apresentado um comportamento controlado, já que o setor tem grande efeito sobre o custo de vida e no orçamento das famílias.

- Os transportes têm servido como âncora e segurado a inflação já que os combustíveis não encareceram ao longo do ano e também não houve pressões nas tarifas de transportes públicos. Das 11 regiões que o IBGE pesquisa, só cinco reajustaram as passagens.

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O aumento no grupo alimentício é generalizado, com algumas regiões sofrendo bem acima da média nacional, com destaque para Goiânia e Brasília e Curitiba, que já ultrapassam 10%.

- Com o crescimento da renda, a tendência é a população consumir mais carne. Isso ocorre de forma bem visível no Brasil. O problema é que ocorreu seca, os pastos ficam prejudicados e o produtor precisa utilizar ração, que está mais cara e por consequência, aumenta o preço da carne.

Outros alimentos, acompanhando a alta da carne, ficam mais caros já que substituem o produto, como o frango e a salsicha, que nos últimos 11 meses (janeiro a novembro) foram reajustados em 9,42% e 7,53%, respectivamente.