Economia

Salão do Automóvel espanta crise e adere ao verde

Da Redação ·
 Honda EV-N tem um motor elétrico alimentado por teto solar; das 42 marcas, quase todas têm sua alternativa "limpa"
fonte: Daia Oliver/R7
Honda EV-N tem um motor elétrico alimentado por teto solar; das 42 marcas, quase todas têm sua alternativa "limpa"

A onda verde e ecologicamente correta dominou de vez o mundo cinzento dos automóveis. Se em 2008, durante o 25º Salão do Automóvel de São Paulo, a tônica do discurso era o negro painel pintado pela crise financeira, o salão deste ano é mais colorido e animado – graças, principalmente, às tecnologias limpas desenvolvidas pelas montadoras.  

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Praticamente não há uma entre as 42 diferentes marcas que colocaram seus carros à mostra que não tenha trazido um carro mais limpo. Há opções para todos os gostos: do já conhecido motor a etanol até os totalmente elétricos, passando pelo híbrido de elétrico e diesel, pelo misto de gasolina e bateria e pelo movido a célula de combustível – cujo único elemento gerado é a água.  

A Renault, por exemplo, trouxe alguns de seus conhecidos modelos com renovações e lançou mais um modelo bicombustível (o sedã Fluence). A grande sacada “ecológica” da montadora francesa, a quinta maior do Brasil, foi do presidente da empresa Jean-Michel Jalinier, ao se referir ao mercado de veículos brasileiro como uma plantação.  

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- O Brasil teve uma grande safra neste ano. Em 2005, o mercado girava em torno de 1,5 milhão de carros e hoje somos quase o quarto maior do mundo, com 3,4 milhões de veículos. O novo Fluence é nossa maior novidade dessa safra.  

Elétricos dominam  

A japonesa Nissan, que faz parte do mesmo grupo controlado pela Renault, também tem sua alternativa para o Brasil. O Leaf, um hatch movido à bateria, é o primeiro a ter motor 100% elétrico produzido em escala industrial.  

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O modelo tem a proposta de fazer com que o usuário “nunca mais precise voltar a um posto de gasolina na vida”, como explicou o presidente da Nissan para as Américas, Carlos Tavares.  

- O Leaf tem zero de emissão de poluentes. Ele pode ser carregado em qualquer tomada 110v e gera uma economia com combustível de R$ 14 mil em três anos. Trabalhávamos com a possibilidade de poucas vendas no começo, mas já recebemos mais de 20 mil propostas de pessoas interessadas.  

A japonesa Toyota decidiu finalmente trazer o seu híbrido para cá. O Prius já é vendido em outros mercados latinos, como a Argentina, e deve ser o primeiro compacto da montadora por aqui. A ideia é concorrer com modelos baratos como Palio e Gol, mas com uma carta a mais na manga: o carro da Toyota tem um motor híbrido que funciona com eletricidade e gasolina.  

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A Honda também aposta alto nos ecológicos. São três novidades: um carro híbrido (que funciona com um motor elétrico e outro à gasolina); um que usa apenas células de hidrogênio e outro totalmente à bateria e com visual retrô.

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De longe, este último, o EV-N, é o mais interessante, porque é totalmente baseado na eletricidade e tem todas as suas funcionalidades controladas por painéis sensíveis ao toque na parte interna. Quase não há botões. Seu motor é alimentado por um teto solar que captura a energia luminosa e carrega a bateria.  

Brasil e a cana de açúcar  

As montadoras também reservaram espaço para seus lançamentos de modelos flex – os bicombustíveis, movidos com qualquer quantidade de mistura de gasolina ou etanol. A Ford, por exemplo, trouxe uma versão de seu sedã grande Fusion capaz de andar quase 20 km com um só litro de combustível.  

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Esse número é bastante, se considerado que o motor a gasolina de 2.3l anda pouco mais do que 8,4 km com um litro de combustível na cidade. O Fusion Hybrid deve chegar ao mercado por R$ 133,9 mil. O presidente da Ford, Marcos de Oliveira, diz que a economia do novo motor flex é de cerca de 30%.  

A sul-coreana Kia, por sua vez, vai aposentar o motor a gasolina do Soul para substitui-lo pela versão bicombustível. Ary Jorge Ribeiro, diretor de vendas da Kia, afirma que o consumidor brasileiro ganhou outra opção de motor do crossover.  

- O Soul já faz parte do cenário nacional. Ele é o nosso sucesso de vendas e é o primeiro sul-coreano a adotar a tecnologia flex, o que faz dele um carro bem brasileiro. A boa notícia é que vamos manter os mesmos preços, porque o investimento feito para desenvolver este novo motor será absorvido pela Kia diluindo na expectativa do aumento de vendas.  

O preço parte de R$ 53 mil (câmbio manual) e R$ 65 mil (automático). As vendas começam em fevereiro de 2011 e a expectativa é de que o número de unidades comercializadas passe dos atuais 850 por mês, em média, para mais de mil por mês.  

A Fiat também trouxe carros amigos do ambiente, como o Uno Concept Ecology ("ecológico"). Praticamente todos os materiais usados no modelo, dos metais aos plásticos, são reciclados.  

O presidente da Fiat, Cledorvino Belini, também falou sobre carros elétricos. A marca italiana foi pioneira ao lançar o Itaipu – um Palio Weekend movido a bateria e construído em parceria com a operadora da maior usina hidrelétrica do país.  

Para Belini, que também é presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o Brasil não precisaria de um caro carro elétrico porque já tem a “melhor matriz energética do mundo”.  

- O etanol é a nossa onda verde. Os veículos elétricos são um nicho que está chegando aqui. Mas para abastecê-los, precisamos de energia elétrica. Um dos nossos problemas é resolver essa equação: num horário de pico, com as hidrelétricas baixas, não faz sentido ter carro elétrico e ser obrigado a ligar a termelétrica [para atender o consumo residencial, por exemplo]. Então o etanol é o melhor modelo, porque é limpo. Além disso, ainda é preciso desenvolver baterias mais baratas.