Economia

Apucarana: trabalhadores do vestuário podem fazer greve

Da Redação ·
 A data-base da categoria é 1º de setembro e atinge em torno de 12 mil trabalhadores formais e informais do setor em toda a região
fonte: Arquivo
A data-base da categoria é 1º de setembro e atinge em torno de 12 mil trabalhadores formais e informais do setor em toda a região

Os trabalhadores das indústrias do vestuário de Apucarana e região podem aprovar na próxima sexta-feira um indicativo de greve. Durante assembleia geral extraordinária, que acontecerá na sede do sindicato dos trabalhadores, às 18 horas, na Rua Travessa Carlos Krizanowski, n° 950, os participantes votarão a proposta de reajuste de 8% que foi apresentada pelo Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Região. Os trabalhadores reivindicam 16,07%.

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A data-base da categoria é 1º de setembro e atinge em torno de 12 mil trabalhadores formais e informais do setor em toda a região. O reajuste aprovado na data-base de 2009 foi de 7%.  Segundo Valdeci Gonçalves Lopes, tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores, a categoria reivindica o mesmo índice aprovado em acordo fechado na região de Maringá. “A função de costureira recebeu reajuste de 10% a partir de setembro. Em março haverá um novo aumento de 6,07% sobre o salário de setembro. Já na região de Cianorte, o aumento chega a 19%”, informa.

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Segundo Maria Leonora Batista, presidente da instituição, a pauta de reivindicações foi enviada ao sindicato patronal em julho e a contraproposta dos empresários para os trabalhadores foi inicialmente de 4%, depois de 5% e agora de 8%. “O índice é muito abaixo do que foi proposto em outras regiões, por isso o sindicato já antecipou que não aceitará reajuste inferior. Mesmo assim, vamos levar para análise dos trabalhadores”, assinala.

Ela explica ainda que o sindicato reivindica aumento de 16,07% para costureiras. A função tem piso de R$ 620,64 e passaria para R$ 724. Já quem recebe acima do piso receberia reajuste de 10%. No caso do auxiliar geral, a alta seria de 24,7%, com isso o salário inicial passaria de R$ 515,89 para R$ 601 e, após 180 dias, aumentaria para R$ 640.

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“Os trabalhadores do setor na região sempre tiveram os maiores salários. Com o reajuste proposto, a categoria passaria a receber menos do que será pago em outras regiões”, critica.

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Proposta de aumento acima da inflação

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Enquanto o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Apucarana e Região cobra aumento semelhante ao concedido em Maringá e Cianorte, o empresário Jayme Leonel, presidente do sindicato patronal, diz que o reajuste de 8% proposto à categoria está bem acima dos 4,29% registrados no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), inflação do período compreendido entre agosto de 2009 e setembro de 2010.

“O percentual apresentado é 86% acima da inflação. Além disso, mesmo com os reajustes inferiores aos de outros polos no Estado, os salários pagos na nossa região ainda são maiores”, afirma. Ele assinala ainda que sindicato patronal não tem como aprovar um reajuste maior neste ano.

“Os empresários sempre cedem um pouco, mas este ano está difícil negociar um índice acima de 8%, já que o setor está saindo de um período de crise e enfrentando sérios problemas com o preço do algodão, que atingiu nesta semana o maior valor dos últimos 170 anos. As empresas estão tendo que absorver os aumentos”, completa