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Homens precisam parar de dar cantada, pois vão perder emprego, diz Luiza Trajano

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FLAVIA LIMA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em tempos de reação global, as empresas precisam se envolver com mais intensidade no combate ao assédio moral e sexual para que os funcionários se sintam mais protegidos e, assim, trabalhem melhor.

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A defesa foi feita por Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, em painel sobre combate a abusos no ambiente corporativo da versão latino-americana do Forúm Econômico Mundial, que ocorre nesta quarta (14), em São Paulo. ?As mulheres estão decidindo até o carro para comprar. Quem decide o mercado hoje são as mulheres?, disse Trajano, reforçando a necessidade de que sejam ouvidas também no ambiente de trabalho. O Magazine Luiza tem 52% de funcionárias mulheres. ?Homem foi acostumado a dar cantada, então estamos falando pra eles pararem de dar cantada se não vão perder emprego no mundo todo. Cantada não é legal.?

Segundo Trajano, o avanço é mais rápido quando as empresas entram no movimento contra o assédio, com instrumentos como canal de denúncias e pesquisas. ?E não é algo caro?, disse.

Segundo a empresária, o Magazine Luiza criou um disque denúncia há cerca de 8 meses e, entre janeiro e fevereiro deste ano, promoveu conversas sobre assédio entre líderes e subordinados dentro da varejista. Das 90 denúncias recebidas até hoje, afirmou, 30% foram feitas por homens.

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Na pesquisa em que 18 mil pessoas foram ouvidas foi constatado que o assédio moral é mais claro que sexual. E que os funcionários reconhecem o assédio como ?brincadeiras no ambiente de trabalho? e o rechaçam.

A exposição indevida do funcionário e o contato físico indevido também foram apontados como algo negativo. Trajano disse que a empresa trabalha num processo educativo para trazer à tona os problemas. Medidas serão tomadas posteriormente e são inegociáveis, disse.

Presente ao painel, o vice-presidente da Western Union, Ricardo Amaral, disse que a política nas empresas têm que ser de "tolerância zero". "A política mais importante é se dar conta, não ocultar", disse Amaral.

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Segundo Amaral, a empresa também monitora o fato de que há poucas mulheres em cargos diretivos e desenvolveu um processo interno para identificar mulheres de alto potencial e juntá-las para que elas avancem. Segundo ele, as empresas mais diversas têm desempenho de 15% a 25% melhor.

Para Andrea Grobocopatel, da W20 Argentina, grupo de influência de gênero do G20, disse que os sindicatos também precisam se envolver na luta contra o assédio e a violência de gênero, em especial nas pequenas empresas.

A executiva, herdeira do grupo do setor de agronegócio Los Grobo, disse também que a inclusão das mulheres não se trata só de um direito, mas de oportunidade de tornar as companhias mais rentáveis.

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Ao falar de Brasil, Trajano disse ainda que vê como algo positivo a separação dos solavancos políticos e a economia, com o dólar e os juros seguindo com relativa tranquilidade. Segundo ela, a economia começa a deixar o fundo do poço, mas é preciso ter em mente que 60% das famílias brasileiras ganham menos de R$ 2 mil por mês. ?Não é possível tolerar isso?, disse. As eleições no Brasil, afirmou, vão ser um momento de maturidade, em que políticos ?não vão poder fazer mais o que estavam fazendo porque o povo não vai aceitar?. Só acredito em mudanças com a união da sociedade civil?, afirmou.

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