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Dólar sobe 1% com temor por guerra comercial após renúncia de assessor da Casa Branca

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ANAÏS FERNANDES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar seguiu os temores externos sobre uma guerra comercial global e fechou em alta ante o real nesta quarta-feira (7), um dia após um dos principais assessores econômicos da Casa Branca, Gary Cohn, deixar o cargo.

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O dólar comercial subiu 1,02%, para R$ 3,244, devolvendo praticamente toda a queda de 1,16% do dia anterior. O dólar à vista teve alta de 0,99%, cotado a R$ 3,243. A moeda americana subiu ante 19 das 31 principais divisas do mundo.

A renúncia de Cohn acontece menos de uma semana após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar tarifas de importação sobre o aço e o alumínio.

O anúncio gerou uma onda de críticas de países e entidades. Pela manhã, Cecilia Malmstrom, chefe de comércio da União Europeia, disse que a UE está pronta para reagir às tarifas, ponderando que "uma guerra comercial não tem vencedores".

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A saída de Cohn já era esperada: internamente, ele foi um dos nomes que mais se opôs à medida, que entende ser prejudicial ao mercado americano e ao livre comércio.

A expectativa é que a assinatura oficial da medida, com o detalhamento das tarifas, seja feita até o final desta semana -possivelmente nesta quinta (8).

Depois de especulações sobre a Casa Branca não fazer nenhuma exceção a países, o governo dos EUA sinalizou nesta quarta que alguns parceiros, como Canadá e México, podem ser excluídos da taxação.

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"Até o mercado entender até que ponto vai essa possibilidade de guerra comercial, o mundo para, e o investidor com aversão a risco começa a fechar a torneira e se resguardar. Hoje foi um dia do investidor preocupado em se garantir no mercado", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

Ele avalia, porém, que a oscilação ainda condiz com como o mercado vem operando, permanecendo numa média entre a perspectiva de piora no cenário (com o dólar próximo de R$ 3,30) e uma percepção de melhora (mais perto de R$ 3,2).

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa brasileira, também acompanhou as preocupações do exterior e caiu 0,20%, para 85.483 pontos. O volume financeiro somou R$ 10,7 bilhões.

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A queda não foi maior porque as siderúrgicas, que vinham pressionando o índice, caíram menos, e os papéis da BRF subiram, apesar de a agência de classificação de risco Moody's ter rebaixado a nota de crédito da empresa na terça (6).

A Usiminas recuou 2,84%, os papéis da Vale caíram 0,51% e a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) perdeu 0,33%. A Gerdau, que tem produção nos Estados Unidos, subiu 2,51%, e a Metalúrgica Gerdau, holding que a controla, 2,09%.

As ações da BRF subiram 4,23%, após acumularem queda de quase 22% nos dois últimos pregões, desde que a empresa se tornou alvo da nova fase da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

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"Isso acontece por ela ter caído muito, mas também por conta da especulação, com as quedas anteriores deixando o preço do papel atrativo. É um papel que atraia um perfil de investidor mais arrojado", diz Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

OUTROS PAPÉIS

Das 64 ações que compõem o Ibovespa, 34 caíram, 29 subiram e uma ficou estável.

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Pesou também para o recuou do índice a queda das ações da Petrobras, diante da baixa no preço do petróleo no exterior. Os papéis preferenciais se desvalorizaram 1,05%, e os ordinários, 1,35%.

Na véspera, a Petrobras negou que poderia mudar sua política de preços para os combustíveis, após o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dizer em entrevista à rádio CBN que o governo discutia o assunto junto à petroleira. 

Nesta quarta, em Nova York, Meirelles falou que o governo estuda alterar a tributação sobre os combustíveis.

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As ações da Eletrobras caíram 4,51% (preferenciais) e 3,07% (ordinárias), com entraves para a instalação na terça da comissão especial que analisará a desestatização da companhia na Câmara, após uma questão de ordem do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco caíram 0,13%. Os papéis preferenciais do Bradesco recuaram 1,76%, e as ordinárias, 3,12%. O Banco do Brasil perdeu 0,68%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil subiram 0,3%.

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