Economia

Maioria dos acordos dá ganho real ao trabalhador

Da Redação ·

Praticamente todas as negociações salariais entre trabalhadores e empresas no primeiro semestre deste ano terminaram com reajustes reais, ou seja, acima da inflação, no vencimento dos funcionários. Os aumentos concedidos superaram a inflação de 4,89% registrada nos últimos doze meses, até junho deste ano.

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Segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (26) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 97% dos 290 acordos salariais feitos entre janeiro e junho superaram a inflação.

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O índice oficial usado foi o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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O desempenho é melhor do que o dos anos anteriores. Em 2008, por exemplo, 87% do total de negociações deram ganhos reais aos trabalhadores. Em 2009, essa taxa foi de 93%.

Nos anos anteriores, a inflação foi mais forte no primeiro semestre (5,67% e 6,06%, respectivamente), o que fez o salários perderem o poder de compra.

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O Dieese diz que o crescimento econômico, o maior número de contratações com carteira assinada neste ano e o poder de negociação mais forte dos sindicatos são fatores que explicam esse resultado.

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- A retomada do crescimento econômico brasileiro teve reflexo no aumento da contratação de trabalhadores com registro em carteira, as taxas de desemprego estão caindo, e os aumentos reais concedidos ao salário mínimo oficial têm afetado positivamente as negociações das categorias profissionais.

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Pouco aumento

A pesquisa do Dieese mostra que a maior parte dos aumentos se concentra na faixa de 1% de aumento acima da inflação.

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Quatro em cada dez (40,3%) reajustes registrados no primeiro semestre deste ano se encontram nessa faixa de até 1% acima do INPC. Outros dois em cada dez (22,4%) estão entre 1% e 2% de aumento real. Um em cada dez (11,7%) está na faixa acima de 3%.

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Em 2009, quase metade dos aumentos foi de, no máximo 1% acima da inflação. Em 2008, quase metade foi de até 2%.

Por setor, os melhores resultados foram alcançados em acordos da indústria. Só 2% dos acordos salariais ficaram abaixo do INPC. Entre 2008 e 2009, esse percentual chegou a quase 9%.

No comércio, o desempenho também foi representativo da retomada do crescimento da economia - só 3% do total de negociações não renderam reajuste suficiente para repor a inflação.

Dentre os setores analisados, o de serviços é o que apresenta a maior proporção de reajustes abaixo do INPC (4% dos aumentos). Nos dois anos anteriores, essa proporção foi de 16%, em 2008, e 6%, em 2009.