Economia

Pedido de visto para estrangeiro é recorde

Da Redação ·
 Petrobras investe na formação de profissionais e espera que, até o final do ano, 18 mil pessoas sejam formadas
fonte: Daia Oliver/06.08.2010/R7
Petrobras investe na formação de profissionais e espera que, até o final do ano, 18 mil pessoas sejam formadas

O crescimento da economia brasileira tem sido atrativo não só para o mercado de trabalho nacional, mas também para os estrangeiros, que têm vindo ao país atrás de emprego.

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No primeiro semestre deste ano, 22.188 estrangeiros pediram visto de trabalho no Brasil, 3.519 a mais do que em igual período do ano passado. O resultado é o maior da história para o período, segundo informações concedidas ao R7 por Carlos Lupi, ministro do Trabalho. Ele prevê que, até o final do ano, a tendência é de que mais gente venha do exterior para trabalhar no Brasil, registrando outro recorde.

A vinda de estrangeiros para o Brasil não elimina postos de trabalho para os próprios brasileiros, mas a falta de especialização ainda é um gargalo para o crescimento econômico, de acordo com o ministro.

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- Falta mão de obra em alguns setores, principalmente no setor de ponta [tecnologia]. Falta especialização. E vamos demorar a superar esse gargalo. Se mantivermos o ritmo de crescimento como está, é coisa para daqui a 15 ou 20 anos. Você não forma uma geração em quatro anos de estudo. Isso é um processo.

Ao analisar o tipo de trabalho que os estrangeiros vêm fazer no Brasil, percebe-se que o interesse não está realmente em tirar mercado dos brasileiros, mas sim no potencial econômico do país.

Na comparação com 2009, o número de administradores, diretores, gerentes e executivos em geral cresceu 40,51% desde o início do ano. O dado reflete uma política de empresas multinacionais que veem no Brasil uma boa oportunidade de investimento e geração de lucros. Com um mercado consumidor extremamente aquecido, esses profissionais vêm ao país para verificar de perto como andam suas linhas de produção.

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Em termos absolutos, contudo, o setor que continua emitindo cada vez mais vistos de trabalho para estrangeiros é o de petróleo e gás. São 8.244 pedidos, 1.574 a mais que no primeiro semestre do ano passado e 2.899 acima do registrado no mesmo período de 2008. O ministro Carlos Lupi projeta que, até o final do ano, o número deve dobrar.

- A tendência é dobrar, porque isso é só o primeiro semestre e não tem sazonalidade no setor. A área de petróleo e gás é de muita especificidade, de muita tecnicidade, e todos esses que têm contrato com a Petrobras são ligados a empresas multinacionais. Elas mandam os seus experts para fazer o acompanhamento da produção. Eles têm direito a isso, é natural quando você é sócio de um investimento.

Investimentos na área de petróleo

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Para entender melhor o que acontece com o setor, com a descoberta de novas tecnologias e, principalmente, do pré-sal, os investimentos na área de petróleo e gás devem superar os R$ 190 bilhões até 2014. Essa montanha de dinheiro demanda projetos cada vez mais especializados e, portanto, trabalhadores que saibam operar as máquinas utilizadas na exploração e produção de combustíveis.

Dos 8.244 vistos de trabalho emitidos em todo o Brasil para o setor de petróleo e gás, 7.826 foram para o Rio de Janeiro. Isso significa que 95% dos estrangeiros estão envolvidos em projetos relacionados a refinarias, plataformas de petróleo e estaleiros. A maior contratante, mesmo que indiretamente, é a Petrobras.

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Lupi afirma que esse número deve crescer ainda mais nos próximos dez anos, com a geração de 200 mil empregos apenas no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), em Itaboraí. Para absorver pelo menos parte dessa demanda, a Petrobras vem investindo na formação profissional pelo Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural). A expectativa da empresa é a de que 18 mil pessoas sejam formadas pelo programa até o final do ano.

Ainda assim, sobram oportunidades para todos os outros setores. Lupi acredita que, nos próximos dez anos, a população de Itaboraí deverá dobrar de tamanho.

- O problema da região é que é uma fartura. ‘Farta’ tudo. Se não tiver um direcionamento para qualificação profissional, vai ser um caos. A previsão que se faz, na região de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, é de pelo menos 50 novos hotéis. Então precisamos de gente não apenas para trabalhar em petróleo e gás, mas também para trabalhar em restaurantes, para construir casa para essa gente.

O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) também oferece cursos de qualificação para diversas áreas, assim como o próprio Ministério do Trabalho, como afirma Lupi.

- Estamos formando uma turma de 7.000 jovens em tecnologia da informação. Só em beneficiados do Bolsa Família, estamos fazendo mais de 25 mil qualificações nas áreas de construção civil e turismo. Mesmo com tudo isso, ainda é pouco. É um investimento que a própria pessoa tem de ter consciência de que é necessário para seu futuro profissional.