Economia

Mudança no perfil de ministro da Fazenda repercute no exterior

Da Redação ·
Nelson Barbosa assume o Ministério da Fazenda
Nelson Barbosa assume o Ministério da Fazenda

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A troca de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no comando do Ministério da Fazenda causou repercussão em veículos de imprensa do exterior. O principal destaque foi dado para as diferenças entre os dois economistas e a preferência da presidente Dilma Rousseff por uma abordagem menos amigável ao mercado.
O "El País", de Madri, diz que a incerteza da permanência de Levy, somado ao processo de impeachment, agravou o momento de turbulência da economia brasileira. O jornal lembrou que a escolha do ex-ministro, em dezembro de 2014, foi uma tentativa de agradar aos investidores e de conter os gastos públicos, mas que agora ele é substituído por alguém mais próximo de Dilma e de Lula.
"O cabo de guerra entre as teses restritivas de Levy e as mais expansionistas dos líderes do PT e da ala mais a esquerda do governo tem sido o dia a dia da ação política do Executivo brasileiro", avalia o jornal.
Por sua vez, o "Financial Times" afirma que a saída de Levy causa temores de que o deficit brasileiro irá se deteriorar ainda mais, ampliando a desvalorização do real. O diário britânico lembrou do pedido de demissão de Barbosa no primeiro mandato de Dilma.
"Analistas dizem que Barbosa renunciou na gestão anterior por discordar das pedaladas fiscais que a equipe econômica usava para ocultar o deficit do Orçamento. Essas pedaladas fiscais foram mais tarde condenadas pelo órgão responsável por fiscalizar as contas, o TCU".
"Entretanto, ele é considerado menos agressivo em relação à política fiscal e mais aberto à intervenção de Dilma, que prefere um modelo econômico controlado pelo Estado com grandes companhias estatais e empréstimos públicos elevados", declara o "Financial Times".
CONTRASTE
Na Argentina, o "Clarín" ressaltou o distanciamento entre as opiniões econômicas de Dilma e do antigo ministro da Fazenda.
"O certo é que o ex-funcionário, que fora defendido em várias oportunidades por sua chefe, não conseguiu os resultados esperados", avalia o jornal.
Para o periódico de Buenos Aires, o principal motivo para a troca foi a discordância sobre a profundidade dos cortes no Orçamento.
EMISSORAS DE TV
O canal de notícias Bloomberg, dos Estados Unidos, preferiu enfatizar a chegada de Barbosa ao comando da Fazenda. De acordo com o veículo, a herança deixada por Levy é uma crise econômica profunda marcada por agitação política, contas deterioradas e ceticismo dos investidores.
"Barbosa agora enfrenta o desafio intimidador de convencer os investidores e as agências de classificação de risco de que tem apoio político e convicção pessoal necessários para ajustar as contas públicas. Enquanto Dilma diz que apoia medidas para aumentar impostos e reduzir gastos, seus aliados estão relutantes em apertar o cinto em meio ao crescimento do desemprego e salários reduzidos", avalia.
Já a BBC destaca que o Brasil passa pela pior recessão nos últimos 25 anos, mas que a troca na Fazenda é uma notícia que desagradará o mercado.
"A renúncia de Levy é um duro golpe para aqueles que defendiam orçamentos mais duros e austeridade limitada para enfrentar a crise econômica", diz o correspondente da emissora no Rio, Wyre Davies.

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