Economia

Dólar passa a cair com cenário político ofuscando dados nos EUA

Da Redação ·
A reação do mercado à decisão de Cunha reflete uma expectativa otimista de mudança na política econômica do país
A reação do mercado à decisão de Cunha reflete uma expectativa otimista de mudança na política econômica do país

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de ter começado o dia em alta, com dados fortes do mercado de trabalho americano reforçando a expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos ainda neste mês, o dólar inverteu a tendência no início da tarde desta sexta-feira (4) e passou a operar em queda em relação ao real.
O movimento reflete em partes a notícia de que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou na última quarta-feira (2) o pedido de abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. A medida fez o dólar recuar mais de 2% na véspera, para seu menor valor em um mês.
A reação do mercado à decisão de Cunha reflete uma expectativa otimista de mudança na política econômica do país, caso ocorra uma troca de governo. A avaliação é que a falta de apoio político do governo torna muito difícil o resgate da confiança dos investidores, especialmente depois da prisão de um importante articulador do PT, Delcídio Amaral, no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia Federal, na semana passada.
Também há influência do exterior, onde 16 das 24 principais moedas emergentes do mundo devolvem parte das perdas na véspera e ganham força sobre o dólar. A divisa americana também cai em relação a oito das dez moedas globais mais importantes, entre elas o euro e a libra esterlina.
Às 13h15 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha desvalorização de 0,20% sobre o real, cotado em R$ 3,737 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, cedia 0,29%, a R$ 3,738.
A criação de postos de trabalho nos Estados Unidos em novembro perdeu velocidade, mas não a ponto de frustrar expectativas de elevação dos juros ainda neste mês. O país gerou 211 mil vagas e manteve o desemprego em 5%, nível considerado suficiente por economistas para uma taxa básica de juros superior à praticada desde a crise de 2008, próxima de zero.
As sinalizações sobre o futuro dos juros americanos têm sido acompanhadas de perto pelos investidores, uma vez que a alta da taxa provocaria fuga de recursos aplicados em países emergentes para os EUA, encarecendo o dólar.
Isso porque a mudança deixaria os títulos do Tesouro americano, cuja remuneração reflete a taxa de juros, mais atraentes que aplicações em mercados emergentes, considerados de maior risco.
O Banco Central do Brasil deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos que estão previstos para o mês que vem. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 545,4 milhões.
No mercado de juros futuros, os principais contratos operavam com sinais opostos na BM&FBovespa às 13h15. O DI para janeiro de 2016 caía de 14,160% para 14,155%. Já o contrato para janeiro de 2021 apontava taxa de 15,680%, ante 15,720% na sessão anterior.

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