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China corta taxa de juros pela terceira vez em seis meses

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A China cortou as taxas de juros pela terceira vez em seis meses neste domingo (10) em uma tentativa de reduzir os custos de empréstimo das empresas e alimentar uma economia que deve ter seu pior ano em 25 anos.
O banco central da China informou em seu site que reduziu sua taxa de empréstimo referencial de um ano em 0,25 ponto percentual, para 5,1%, a partir de 11 de março. Também cortou a taxa de depósito referencial em 0,25 ponto, para 2,25%.
"A economia da China ainda está enfrentando pressão para baixo relativamente grande", disse o banco central em comunicado separado. "Ao mesmo tempo, o nível geral de preços domésticos permanece baixo, e as taxas de juros ainda estão mais altas do que a média histórica", completou.
A decisão deste domingo aconteceu poucos dias após a divulgação de dados mais fracos do que o esperado para abril de comércio e inflação, destacando que a segunda maior economia do mundo está sob pressão persistente da fraqueza da demanda tanto interna quanto externa.
Economistas já haviam dito que não era uma questão de se, mas quando a China afrouxaria a política monetária de novo após o crescimento econômico no primeiro trimestre ter desacelerado para 7%, nível que não era visto desde o ápice da crise financeira global de 2008 e 2009.
INFLAÇÃO
A inflação anual ao consumidor da China subiu para 1,5% em abril e os preços ao produtor caíram pelo 37º mês consecutivo, em 4,6%, aumentando as preocupações sobre as crescentes pressões deflacionárias.
A inflação anual foi de 1,5% em abril, informou o departamento nacional de estatísticas no sábado, contra 1,4% em março, mas abaixo do 1,6% previsto por analistas.
Um salto sazonal nos preços dos alimentos à parte, alguns economistas disseram que os números apontam para pressões moderadas nos preços e demanda doméstica fraca na segunda maior economia do mundo.
"Os preços ao consumidor mantiveram-se lentos em abril e o risco de deflação ainda perdura", afirmaram os analistas da Haitong Securities em nota. "Há uma necessidade de cortar as taxas de juros novamente."
PIB
Depois de a economia registrar no ano passado o menor crescimento em mais de duas décadas, o governo chinês reduziu a sua meta de expansão do PIB em 2015 para "cerca de 7%".
"A meta leva em consideração o que é necessário e o que é possível", afirmou o premiê Li Keqiang, na abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo.
"Se a economia chinesa conseguir crescer nesse ritmo por um tempo relativamente longo, nós vamos garantir uma fundação mais sólida para a modernização", disse o primeiro-ministro.
A meta anterior era de "cerca de 7,5%" e não foi atingida no ano passado, quando o PIB chinês teve alta de 7,4%, o menor avanço desde 1990.
A segunda maior economia global enfrenta o desafio de manter o ritmo de crescimento à medida que a sociedade vai ganhando uma classe média mais sólida. Ao mesmo tempo, o governo busca mudar seu modelo de crescimento, menos baseado nas exportações e no crédito barata e mais voltado para o aumento do consumo doméstico.
A desaceleração chinesa tem efeitos claros na economia brasileira, como ficou nítido no ano passado.
Por exemplo, o preço médio da tonelada do minério de ferro vendida pelo Brasil para a China caiu 27% entre 2014 e 2013, refletindo a perda de ritmo do gigante asiático, que é o maior consumidor global da commodity.
O minério é segundo produto que o país mais vende para a China (maior comprador brasileiro), atrás da soja.

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