Justiça mantém demissão de diretores da siderúrgica Usiminas
RAQUEL LANDIM
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça manteve nesta terça-feira (5) a demissão de três ex-diretores da Usiminas, que foram afastados de suas funções pelo conselho de administração. A decisão é mais um lance na briga entre os controladores da empresa, os japoneses da Nippon Steel, e os ítalo-argentinos da Ternium.
No fim de setembro do ano passado, o então diretor-presidente da siderúrgica, Julian Enguren, e dois diretores vice-presidentes, Paolo Bassetti e Marcelo Chara, perderam os cargos. Eles foram acusados de receber cerca de R$ 1 milhão acima da remuneração prevista.
Todos haviam sido indicados pela Ternium e foram afastados a pedido da Nippon. Os ítalo-argentinos entraram na Justiça, mas, por dois votos a um, os desembargadores da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais mantiveram o afastamento. Ainda cabe recurso ao STJ (Supremo Tribunal de Justiça).
"Ficou comprovado que esses executivos receberam um valor indevido e esses pagamentos levaram a uma perda de confiança que justifica seu afastamento", diz o advogado Fabiano Robalino, do escritório Sérgio Bermudes, que representou a Nippon.
A Ternium alegou em sua defesa que não houve má fé e que os executivos não sabiam que estavam recebendo mais do que o previsto por auxílio a expatriados. Os ítalo-argentinos argumentaram também que a decisão rompia o acordo de acionistas da empresa, que prevê que os sócios devem votar contra qualquer proposta quando não há consenso entre eles. A Nippon votou pelo afastamento dos executivos.
BILIONÁRIO
A guerra entre os controladores abriu espaço para que os minoritários ganhassem mais voz dentro da empresa. Na última assembleia de acionistas, o bilionário Lirio Parisotto conseguiu eleger seu aliado, Marcelo Gasparino, como presidente do conselho de administração. Isso só foi possível porque não houve consenso entre Nippon e Ternium em torno de um nome.
Parisotto, que detém 4% das ações da Usiminas, também ocuparia um assento no conselho, mas a Ternium entrou na Justiça e obteve uma liminar impedindo que ele tomasse posse. Informalmente a movimentação de Parisotto conta com a simpatia da Nippon. Já houve algumas tentativas de reverter a liminar, mas sem sucesso até agora.
