Número de empresas investigadas na Zelotes tende a aumentar, diz delegado
GABRIEL MASCARENHAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O número de empresas suspeitas de participação no esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) tende a ser maior do que o descoberto até agora.
De acordo com o delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Zelotes, Marlon Cajado, grande parte do material apreendido durante a investigação ainda está sendo analisado.
"Não dá para dizer nomes nem quantas empresas ainda vão surgir, mas o total tende a aumentar", afirmou.
O Carf, vinculado ao Ministério da Fazenda, é a última instância administrativa para empresas e pessoas físicas recorrerem de autuações aplicadas pela Receita Federal.
A operação, feita em conjunto com o Ministério Público Federal, desbaratou um esquema em que contribuintes com pendências no Carf pagavam propina a integrantes do colegiado em troca de redução e até perdão das dívidas.
Ao todo, 74 processos, envolvendo empresas de diversos setores, estão na mira dos investigadores. Eles estimam que o prejuízo ao erário tenha atingido R$ 6 bilhões, três vezes o montante desviado da Petrobras e apurado pela Operação Lava Jato.
Cajado comemorou a publicação do decreto que estabeleceu o valor das gratificações a conselheiros do Carf, que, até então, não eram remunerados.
"A Zelotes foi na cabeça do problema. Impossível saber o potencial lesivo do esquema, caso ele continuasse. Agora, sim, com esse decreto, a corrupção tende a diminuir no Carf", afirmou o delegado.
